No Afeganistão, é mais notícia a detenção de um homem que matou uma mulher do que o falecimento da vítima.
Por isso, foi com surpresa que, ontem, os habitantes da região de Guzara assistiram à detenção de Najibullah, o confesso homicida de Mah Gul, uma jovem de 20 anos que perdeu a vida por recusar a prostituição.Ao contrário do que é habitual, Najibullah não só foi detido como também se tornou um exemplo para a população da cidade de Herat: a polícia realizou uma conferência de imprensa com homicida para sensibilizar a opinião pública. «Noutros casos matam a mulher, escondem o corpo e ninguém dá por nada», afirmou ao El Mundo o responsável pela Comissão Independente dos Direitos Humanos no Afeganistão.
Neste caso, porém, o autor do homicídio foi levado a confessar que, «com a ajuda da sogra» de Mah Gul, decapitou a jovem usando uma faca. A causa? Mah Gul ter, mais uma vez, recusado as ordens da família do marido para que se prostituísse de forma a auxiliar financeiramente a família.
A jovem casara há quatro meses, em mais uma boda por conveniência, como é hábito no Afeganistão, que deixou endividada a família do noivo. Segundo a sua sogra, a jovem Mah Gul deveria aceitar a prostituição como forma de contribuir para o equilíbrio das contas de uma família que no fundo pagou para a ter.
«O fatídico destino de Mah Gul é mais um incidente que demonstra a violência que as mulheres e crianças sofrem no Afeganistão e na região», declarou Suzanne Nossel, directora executiva da Amnistia Internacional nos EUA, citada também no diário espanhol.

Fonte: SOL