O jornal 'A Unão', publicado diariamente na ilha Terceira e propriedade da Diocese de Angra do Heroísmo e ilhas dos Açores, vai chegar pela última vez às bancas no próximo dia 31 de Dezembro, num ano em que assinala 120 anos de existência.
A decisão foi ontem comunicada pela administração do jornal aos colaboradores, depois de ouvidos os pareceres do Conselho diocesano para assuntos económicos e do Colégio dos consultores do Bispo da Diocese que deram parecer favorável unânime.
Serão despedidos os quatro jornalistas que constituem a redação do jornal e, ainda, dois funcionários administrativos.
Segundo o director do jornal, «nas últimas décadas a Diocese injectou verbas que permitiram a satisfação de compromissos com fornecedores e ordenados dos colaboradores mas pela primeira vez este ano não foram ainda pagos subsídios de férias», avança Marco de Bettencourt Gomes no editorial de hoje.
Ainda de acordo com o director do matutino que conta com mais de 34 mil edições em 120 anos, «a diminuição de receitas com a gráfica e a diminuição drástica de publicidade agravam ainda mais a situação recessiva que é generalizada a todos os jornais», sublinha, o que, para a administração da empresa, recorda, se traduz numa situação «absolutamente insustentável».
Ainda assim, a Diocese de Angra tenciona lançar, a partir do próximo ano, um jornal publicado semanalmente que estará relacionado com a ação da própria Diocese e que não terá o contributo de qualquer jornalista profissional, mas apenas de colaboradores e artigos de opinião.
O jornal, que passou de vespertino a matutino nos últimos anos, formou vários jornalistas açorianos ao longo de mais de um século a cobrir os principais acontecimentos políticos, económicos e sociais da ilha e dos Açores segundo uma matriz assumidamente religiosa. Depois do Correio da Horta, é o segundo jornal que a Diocese de Angra encerra desde que D. António de Sousa Braga assumiu o cargo de bispo, em 1996.

Fonte: SOL