A dívida directa do Estado vai custar este ano a cada português quase 17 mil euros. O crescimento da dívida tem sido tão elevado que, do final de 2006 até ao termo de 2013, irá subir mais de 99 mil milhões de euros, um aumento superior a 91%. Por isso, os encargos com juros são cada vez mais altos: em 2013, o Estado pagará em juros 7,1 mil milhões de euros, mais 125,5 milhões de euros face a 2012.



A proposta do Orçamento para 2013 revela que, no final deste ano, a dívida directa do Estado atingirá 196,1 mil milhões de euros, o que representará quase 120% do PIB. Como o endividamento líquido do Estado irá aumentar 11,5 mil milhões de euros em 2013, a dívida ascenderá, no final desse ano, a 207,6 mil milhões de euros.

Por isso, em 2013, o custo da dívida será ainda mais elevado para os portugueses: no final desse ano, a dívida directa do Estado custará a cada português quase 20 mil euros. E este encargo será ainda mais alto se aumentar a taxa de juro variável no stock da dívida actual, que inclui os créditos da troika: o acréscimo de um ponto percentual poderá traduzir-se "num incremento dos juros do Estado em torno de 471 milhões de euros em contas públicas", salienta-se na proposta do Orçamento.

O aumento do custo da dívida pública ocorre numa altura em que a economia está em recessão, os salários diminuem e a carga fiscal sofre uma subida brutal.

"TODOS DEVEMOS EVITAR UMA CRISE"

"Este é um Governo de coligação, em que cada um dos seus membros assume as suas responsabilidades." A frase dita ontem ao CM é do eurodeputado e vice-presidente do CDS Nuno Melo, que acrescenta: "Todos devem procurar evitar uma crise política, incluindo o PS."

Os desmentidos de Passos Coelho e Paulo Portas sobre uma alegada discussão ente ambos e o comunicado do CDS de ontem puseram alguma água na fervura da crise política na coligação governamental.

O comunicado assinado por Portas antecipa o voto favorável dos centristas no Orçamento do Estado para 2013 em nome da "estabilidade num momento especialmente crítico", mas reafirma as conhecidas divergências sobre "o enorme aumento dos impostos" de Vítor Gaspar.

Nuno Melo defende, porém, em declarações ao CM, que "as preocupações que o CDS tem demonstrado, de acentuar a necessidade de mais cortes no lado da despesa, ainda têm lugar no plano parlamentar". Para já, adianta Melo, "o Governo está coeso e determinado em resolver os problemas do País".

A tese da direcção do CDS é de que o PSD deve perceber que tem um parceiro na coligação e que lhe não pode apresentar factos consumados.

cm