Um grupo de investigadores descobriu a mais de 500 metros de profundidade, ao largo do Algarve, um campo de crinoides, organismos marinhos semelhantes a plantas, informou esta terça-feira fonte do Centro de Ciências do Mar (CCMAR), da Universidade do Algarve.



Os campos de crinoides estão classificados como habitats sensíveis pela União Europeia, já que podem ser utilizados como zonas de reprodução para espécies de peixes como o salmonete e a pescada, refere o CCMAR em comunicado.

A descoberta aconteceu no âmbito do projecto 'Impact', destinado a estudar o impacto do arrasto em mar profundo.

Em alta densidade, os crinoides, também conhecidos como lírios do mar, são indicadores do bom estado dos fundos marinhos e do baixo ou inexistente impacto humano.

Segundo aquele centro de investigação, a pesca de arrasto pode danificar estes campos e afectar o fundo marinho, mas neste caso concreto a existência de um campo tão denso indica que a zona não tem sido afectada por esta arte de pesca.

A existência do ecossistema, raro àquela profundidade, foi confirmada com a colaboração da organização Oceana, através de filmagens com um veículo operado remotamente.

As primeiras colheitas de sedimentos foram feitas a bordo do navio de investigação 'Garcia del Cid', através de um projecto europeu.

Os investigadores irão agora analisar os dados recolhidos, conclui o CCMAR.

A equipa, coordenada pelo CCMAR, integra diversas instituições nacionais e internacionais: Instituto Português do Mar e da Atmosfera, Centro de Estudos do Ambiente e do Mar, da Universidade de Aveiro, Instituto de Ciências do Mar (Barcelona), Marine Scotland e Universidade Politécnica de Marche (Itália).