Foi num misto de surpresa e de incredulidade que os habitantes de Cantanhede tiveram conhecimento do abuso sexual de que terá sido vítima Renato Seabra, em pequeno, por parte de um vizinho, relatado na última sessão do julgamento do jovem pelo homicídio de Carlos Castro, no Supremo Tribunal de Nova Iorque. Com maior ou menor proximidade à família Seabra, os moradores asseguram nunca ter ouvido falar do caso.



"Uma coisa dessas, numa terra tão pequena, era conhecida de certeza", afirmou ao CM Messias Neves, 69 anos, que segue atentamente as notícias relativas a Renato Seabra, a quem deu emprego, numas férias, a distribuir publicidade. "Era uma pessoa humilde, simples e muito bom rapaz", considera, não conseguindo conter as lágrimas quando pensa no futuro do jovem. "Provavelmente, vai acabar mal para o lado dele. E, tão novo, tinha a vida pela frente", lamenta.

Maria do Carmo Neves, que conhece bem a família Seabra, também teme pelo futuro do jovem, que acredita ter procurado no cronista Carlos Castro o pai que lhe faltou a vida toda. "Quando se apercebeu de que a realidade não era essa, deve ter-se passado", defende, adiantando que "a Justiça não saberá interpretar isso e o Renato vai ser ainda muito maltratado".

Apesar de conhecer bem a família, esta moradora diz também nunca ter ouvido falar do abuso sexual por parte de um vizinho quando Renato era criança. "Nunca constou nada", assegura, ao contrário do que disse em tribunal o psicólogo contratado pela defesa do jovem modelo.

Outros moradores, a residir ao lado da família (cuja casa continua à venda), garantiram nunca ter ouvido falar da situação. Também em Canas de Senhorim, Nelas, terra natal da mãe de Renato e onde o jovem passava férias, ninguém ouviu falar no abuso.

cm