Preocupado com o avançar da idade, Abílio Almeida, de 91 anos, de Braga, decidiu, em 2010, abrir uma conta bancária em nome da mulher, de 54 anos, em que depositou cinco mil euros, destinados às despesas com o seu funeral. Mas há um ano pediu o divórcio e após se aperceber de que o dinheiro desapareceu apresentou queixa da mulher. O caso vai a julgamento.



Maria Rosalina Fernandes está acusada de um crime de abuso de confiança. O ex-marido exige que lhe devolva o dinheiro destinado ao funeral.

Rosalina era empregada doméstica de Abílio há mais de 10 anos, quando o idoso lhe propôs que casassem, em 2005, prometendo pagar-lhe o sustento das filhas e a renda da casa. Em meados de 2010, alegando que lhe faltava dinheiro, a mulher começou a trabalhar fora de casa, desagradando ao marido. Como Rosalina insistia em trabalhar, Abílio decidiu divorciar--se. Foi à Caixa Geral de Depósitos para levantar o dinheiro, mas constatou que a conta tinha sido saldada. Irritado, processou-a.

No processo que decorre no Tribunal de Braga, e a que o CM teve acesso, a mulher alega que o ex-marido não cumpriu as promessas e, como não tinha dinheiro para sustentar as duas filhas, usou o dinheiro do funeral. Na queixa, Abílio refere que não fazia vida em comum com Rosalina, pois "sempre viveram cada um na sua residência" e que a mulher "apenas aceitou o casamento por mero interesse económico", com o intuito de "poder vir a beneficiar de uma pensão de viuvez" após a sua morte.

cm