Espanha: Pressão separatista na CAtalunha marca eleições autonómicas
“País Basco será nação europeia”


O espectro da crise promete condicionar as eleições de hoje no País Basco e na Galiza. A crer nas sondagens, os mais de milhão e meio de eleitores bascos deverão castigar a aliança governativa do Partido Socialista Basco (PSE) e do Partido Popular (PP), devolvendo o poder ao Partido Nacionalista Basco (PNV).

Aproveitando a pressão separatista na Catalunha e a revolta geral contra a austeridade ditada por Madrid, o líder do PNV, Iñigo Urkullu, sublinhou a questão nacionalista e prometeu criar um "País Basco como nação da Europa".

Segundo as últimas sondagens, os eleitores vão recompensar o PNV com a vitória, mas sem maioria (espelhada na conquista de cerca de 28 dos 75 assentos do Parlamento autónomo basco).

A segunda força deverá ser a coligação EH Bildu, que alinha partidos separatistas, entre eles os herdeiros do ilegalizado Batasuna, braço político da ETA.

A ser assim, o PSE de Patxi López, actual presidente do governo autónomo, e o PP acabarão como terceira e quarta forças políticas, desta vez sem representação suficiente para repetir uma aliança governativa.

Consciente das preocupações com o futuro económico da região, Urkullu prometeu criar consensos, pois só com "um acordo nacional" será possível "a reactivação económica e o emprego", afirmou.

De referir que, há somente uma semana, cerca de 30% dos eleitores diziam-se indecisos, o que poderá reflectir-se numa baixa taxa de participação. Em todo o caso, os eleitores separatistas tendem a ser mais fiéis, pelo que uma elevada abstenção pode ser mais um factor a favorecer PNV e EH Bildu.

GALIZA AMEAÇA CASTIGAR PP POR CRISE ECONÓMICA

As eleições de hoje na Galiza, reduto tradicional do PP, são encaradas como um referendo ao governo espanhol do primeiro-ministro Mariano Rajoy. Segundo os analistas, nem mesmo a tentativa de distanciamento de Núñez Feijóo, líder do governo galego, face a Rajoy poderá evitar a previsível perda da maioria do PP no Parlamento autonómico. O risco último para o PP será a formação de uma coligação governativa de partidos minoritários liderada pelo socialista Pachi Vázquez.

C. da Manha