Os professores do Ensino Superior estão a sofrer reduções salariais em universidades privadas, que chegam a pagar valores inferiores a 5 euros à hora. A denúncia é feita pelo Sindicato Nacional do Ensino Superior (Snesup), que aponta o dedo ao Grupo Lusófona.



"Chegaram ao nosso conhecimento casos de professores do Ensino Superior privado, no Grupo Lusófona, que ganham valores insultuosos, chegando a receber 5 euros à hora ou até menos", afirmou ao CM António Vicente, presidente do Snesup, sublinhando ser esta uma "situação generalizada neste grupo e que poderá abranger bastantes docentes".

Os professores poderão recorrer à Justiça. "Estamos a prestar apoio jurídico a associados nossos e já pedimos por mais de uma vez uma reunião ao Grupo Lusófona".

Segundo o sindicalista, "há professores que têm a remuneração associada ao número de alunos inscritos na disciplina, outros que são pagos à hora e outros que viram reduzido o número de horas leccionadas".

A maioria dos docentes que aufere 5 euros/hora leva para casa ao fim do mês 400 euros. "É quase pagar para trabalhar. E a remuneração não contempla a preparação de aulas e avaliações", disse António Vicente.

O CM tentou contactar os responsáveis do Grupo Lusófona mas, por ser fim-de-semana, ninguém esteve disponível.

SALÁRIO DE 600 € NO PÚBLICO

Também no ensino superior público há professores universitários a auferir rendimentos pouco condizentes com as funções desempenhadas. Muitos recebem apenas cerca de 600 euros por mês. "Há docentes contratados a tempo parcial a ganhar 600 euros, mas que acabam por desempenhar funções de professor a tempo integral", refere António Vicente, presidente do Sindicato Nacional do Ensino Superior. Estes docentes acabam por cumprir o horário normal de 35 horas semanais, que inclui preparação de aulas, correcção de provas e investigação. António Vicente critica o desinvestimento no sector. "O Ensino Superior é apontado como o caminho para a saída da crise, mas assim estamos a hipotecar o futuro".

cm