Queres vir brincar agora comigo?", começou por desafiar Gleidson, levando Nélson Mata, 30 anos, a responder à provocação do brasileiro – parou de imediato o carro onde seguia com a mulher, grávida de seis meses, e com a filha Cristiana, de sete anos. Já se tinham envolvido numa luta, há uma semana, também em Cotovia, Sesimbra, mas anteontem o português não esperava que o imigrante tivesse uma pistola. Levou dois tiros na cabeça, à queima-roupa, em frente à família.



Gleidson, que terá a mesma idade da vítima, é visto na zona como uma pessoa problemática. Domingo, pelas 19h00, à porta do café Matheus, aproximou-se do Peugeot da vítima e deu dois tiros na cabeça de Nélson Mata. O pescador está internado no Hospital de São José, em Lisboa, com duas balas alojadas na cabeça. E a PJ procura o atirador.

"A ex-mulher do meu filho namorou com o Gleidson e metia-o em casa quando estava lá a minha neta. E o meu filho não queria. Há uns dias eles desentenderam-se e brigaram na rua", começou por dizer Maria Graciete, mãe da vítima, de 64 anos. "Desta vez ele provocou o meu filho e deu-lhe dois tiros na cabeça à frente da mulher e da filha e colocou--se em fuga".

Poucos eram os que se atreviam ontem a comentar o que tinha acontecido entre Nélson - conhecido por ‘Mata-Bois', alcunha que partilha com o pai - e o imigrante brasileiro. "Não dá para acreditar no que se passou. Esse homem, Gleidson, só fazia porcaria e nunca ninguém conseguiu tomar uma atitude. Ele arranjava confusão em qualquer sítio onde entrasse", disse uma moradora da localidade, que pediu o anonimato.

Gleidson, operário que trabalhava na construção civil, fugiu do local após efectuar os dois disparos e encontra-se em parte incerta. A Judiciária de Setúbal está no seu encalço.

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