O Banco de Portugal propôs a criação de um "banco mau" (Bad Bank) que junte todos os empréstimos à habitação das instituições financeiras, para libertar dinheiro que serviria para financiar as empresas e a economia real. A solução foi apresentada pelo governador Carlos Costa numa reunião realizada no início da semana com a Associação Portuguesa de Bancos (APB).



Os contornos da proposta são ainda pouco definidos. Haverá uma titularização de créditos (junção de todos os empréstimos) com vista à sua venda, através de um fundo de investimento, nos mercados internacionais. Não se sabe ainda se esta operação terá a garantia do Estado e se será feita com o recurso ao dinheiro que a troika disponibilizou para recapitalização da Banca (ainda sobram seis mil milhões de euros).

"Trata-se de uma solução que resolve o problema das imparidades de muitos bancos", afirmou ao CM um responsável por uma das maiores instituições financeiras a operar em Portugal, que considera "que não existe uma bolha imobiliária no nosso País. O que temos é um problema de mercado. A verdade é que hoje em dia praticamente não se vendem casas".

"FINGIR QUE NÃO HÁ PROBLEMA NO IMOBILIÁRIO"

Paulo Pinho, professor da Universidade Nova, considera que não é "nem o primeiro, nem o segundo veículo que se cria para esconder activos dos bancos", e estranha a criação deste tipo de "banco mau" num "País onde sempre se disse que não existe uma crise imobiliária".

Aquele especialista em banca considera que "estamos a fingir que não existe um problema imobiliário em Portugal. Isto dá um sinal errado aos mercados internacionais. Parece que o País não está a contar toda a verdade sobre os seus bancos". Paulo Pinho adianta que se trata de uma forma de os bancos trocarem malparado "por activos mobiliários".

MALPARADO ESTÁ NOS 2,1 MILHÕES DE EUROS

Segundo os últimos números do Banco de Portugal, o crédito à habitação, considerado de cobrança duvidosa, subiu no passado mês de Agosto para os 2,1 mil milhões de euros.

Com a criação do "banco mau" que agregue todo o crédito imobiliário, Carlos Costa quer , além de ajudar a aumentar o financiamento da economia, contribuir para "aumentar as perspectivas de rentabilidade a prazo do sector bancário e reduzir os níveis de financiamento do sector bancário junto do BCE", de acordo com uma nota divulgada ontem pelo Banco de Portugal.

cm