A bandeira está a meia haste e no quartel dos Bombeiros da Aguda o silêncio aterrador é interrompido apenas, de tempos a tempos, pelas lágrimas dos que não conseguem suportar o sofrimento.



O corpo do chefe Fernando Reis, de 49 anos, que morreu anteontem quando a ambulância que conduzia se despistou na A29, em Gaia, está desde ontem a ser velado no quartel pela família e pelos colegas da corporação, que, desolados, recordavam já com saudade o bombeiro, que irá a enterrar hoje às 15h30.

Diogo Matos, o colega de 22 anos, que ficou gravemente ferido no acidente, continua internado, tal como Amélia Vieira, a doente que estava a ser transportada na ambulância.

No Facebook da corporação da Aguda, Maria José Martins, que trabalha com Amélia na Escola Sophia Mello Breyner, em Arcozelo, Gaia, deixou uma mensagem de pesar. Foi ela quem ligou aos bombeiros, pedindo que socorressem a funcionária, que estava com dores fortes na barriga.

"Efectuei a chamada e não demorou muito a aparecer a ambulância com aqueles dois bombeiros que eu tão bem conhecia. Mal sabia que os chamei para mais à frente acontecer esta tragédia", lamentou.

No quartel da Aguda, o chefe Reis era ontem recordado como um herói, um homem que durante mais de 20 anos batalhou numa luta muitas vezes desigual.

"É um dia muito triste para a Aguda. Perdemos um herói, um homem que durante anos deu tanto pelos outros", afirmou Maria Helena, uma moradora, sem conter as lágrimas ao olhar para o caixão.

A filha de Fernando, de 21 anos, e a mulher estavam de rastos, incapazes de aceitar a tragédia. Foram consoladas pelos bombeiros, amigos de Fernando, que as tentavam ajudar a lidar com a dor.

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