O preço da água motivou este ano quase 2.900 reclamações de consumidores à DECO, ultrapassando já o total do ano anterior, revelou a associação de defesa dos direitos dos consumidores (DECO).
“Este ano temos recebido muito mais queixas e pedidos de informação sobre água, até porque estamos numa altura de crise que se reflecte muito nos serviços públicos essenciais”, como a água ou a electricidade, explicou à Lusa o jurista da DECO Paulo Fonseca.
Em todo o ano passado a associação recebeu 2.642 reclamações relacionadas com a água, número já ultrapassado pelas 2.890 queixas registadas até Outubro deste ano.
“Os consumidores percebem que nuns municípios se paga mais do que noutros e em tempos de crise, quando querem cortar nas despesas, questionam-se porquê e não percebem, porque há falta de transparência na informação prestada sobre essas tarifas”, defendeu o jurista.
A Deco assume a sua “grande preocupação” relativamente à possibilidade de o governo decidir privatizar a água, no âmbito da reestruturação em curso no grupo Águas de Portugal.
“A DECO está bastante preocupada, pois trata-se de um bem essencial. Quando se fala em privatização em alta [captação de água] estamos a falar de infra-estruturas fundamentais e que merecem estar sobre a tutela do Estado, caso contrário estamos a criar uma abertura para aumentar os preços sem monitorização ou regulação do Estado”, afirmou o jurista.
A disparidade dos modelos tarifários e de gestão em Portugal e todos os problemas relacionados com o sector da água, vão ser debatidos na quinta feira num encontro organizado no Porto pela associação, no qual participam responsáveis da entidade reguladora (ERSAR) e da APDA - Associação Portuguesa de Distribuição e Drenagem de Águas, entre outros especialistas.

Fonte: Lusa/SOL