Quando recebeu uma chamada anónima, em Janeiro deste ano, a contar-lhe a "situação macabra", Guilherme Dias, presidente da Junta de Belas, Sintra, ficou sem reacção. "Nem queria acreditar", disse ao CM. Quatro coveiros – funcionários da Junta – munidos de espingardas de pressão de ar, atiravam sobre caveiras depositadas em valas comuns do cemitério de Belas.



Só um se mantém como funcionário do local, depois de terem sido indiciados por crimes como profanação de cadáver, cometidos há cerca de dois anos. O processo corre no Tribunal de Sintra.

"Recebi a denúncia anónima de alguém que até me disse que ainda lá estavam as armas. Confirmei a situação e levei-as à PSP. No dia seguinte foi lá a Polícia Científica", conta o presidente da Junta. Por pura diversão e sempre após o almoço, os quatro funcionários, entre os 30 e os 40 anos, juntavam-se numa das duas valas comuns do cemitério – espaço subterrâneo onde são depositadas ossadas que as famílias não querem após o levantamento – e disparavam durante vários minutos. "Achamos que isto durou muito tempo".

Os coveiros foram identificados, mas nenhum confessou. Dois já não se encontram a trabalhar para a junta – um deles foi dispensado e o outro saiu após a queixa do presidente. Os restantes suspeitos continuam ao serviço: um é coveiro no cemitério; o outro é jardineiro na freguesia.

Segundo contou ao CM Rui Santos, actual chefe dos coveiros, o funcionário suspeito que lá permanece "nunca falou sobre o assunto". Apesar de o caso ser desconhecido para a maioria da população de Belas, os problemas com os quatro funcionários já vêm de longe. "Cobravam às pessoas dinheiro a mais, à revelia da Junta. Por exemplo, por um balde de terra nova pediam 20 euros para eles; por mudar uma lápide eram 50 euros", contou ontem ao CM uma florista da zona.

cm