A GNR tem desde anteontem dois novos generais do Exército, a juntar aos 11 do mesmo ramo que já ali desempenhavam funções. Os oficiais apresentaram-se para ocuparem cargos de chefia na Escola da GNR, em Queluz, e na Unidade de Segurança e Honras de Estado.



Estas colocações deram origem a uma providência cautelar interposta no Tribunal de Almada por um coronel, Albano Pereira, de forma a tentar impedi-las, o que acabou por resultar na sua própria exoneração enquanto comandante de Setúbal.

O objectivo era tentar travar a entrada de generais das Forças Armadas na GNR, contrariando uma solicitação do comandante-geral, general Newton Parreira, ao ministro da Administração Interna, tendo Newton Parreira entendido, num despacho a que o CM teve ontem acesso – no dia em que cerca de mil militares se manifestaram em Lisboa, reivindicando melhores condições – que Albano Pereira pôs assim em causa o "inarredável vínculo de confiança pessoal" que faziam dele comandante em Setúbal.

Foi afastado, tal como fora o tenente-coronel António Martins, então chefe da secção de justiça do comando geral – também por quebra de confiança do comandante-geral, depois de ambos, e de outros dois coronéis, terem promovido um jantar de 12 pessoas, na Casa do Alentejo, a pedir apoios contra a entrada de generais do Exército.

O objectivo destes quatro coronéis – "numa instituição com 800 oficiais", frisa fonte do comando-geral – é terem acesso à frequência do curso de formação de majores-generais, quando o comandante-geral entente que não têm nem tempo de comando nem condições para serem oficiais generais: por falta de frequência, por exemplo, nos altos estudos militares. A providência cautelar, entretanto, continua à espera de apreciação no Tribunal de Almada.

MANIFESTAÇÕES DE MILITARES DA GNR SEM INCIDENTES

Sem incidentes. Assim decorreu a manifestação que ontem reuniu mais de um milhar de militares da GNR em Lisboa, que caminharam dos Restauradores à Assembleia da República. "Horários sim, escravatura não" e "Fomos enganados, estamos a ser roubados" foram apenas algumas das palavras de ordem entoadas pelos militares afectos à Associação dos Profissionais da Guarda. César Nogueira, presidente deste sindicato, entregou na Assembleia da República – onde se encontrava um forte contingente da PSP – e na residência oficial do primeiro-ministro uma carta com os problemas que querem solucionados. "Queremos estar na tabela remuneratória única e a promoção de milhares de profissionais. O dinheiro não pode chegar apenas para promover os generais", disse. Os militares não colocam de parte novas formas de luta.

cm