Os trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) afirmaram hoje que «não existe nenhuma solução» para a empresa, face ao segundo adiamento no prazo para entrega de propostas de compra, no âmbito da reprivatização.
«Com este adiamento, mais uma vez se pode comprovar que não existe nenhuma solução para os estaleiros», afirmou hoje o coordenador da comissão de trabalhadores dos ENVC.
António Costa reagia desta forma ao segundo adiamento do prazo limite para a entrega de propostas vinculativas de compra de 95 por cento do capital social dos estaleiros, que está agora fixado em 5 de Novembro.
O primeiro prazo terminaria a 12 de Outubro, mas foi adiado, segundo fonte do ministério da Defesa, em função do pedido apresentado pelas empresas convidadas a apresentarem propostas nesta última fase da reprivatização.
A segunda data terminaria hoje, mas o prazo para entrega de propostas foi entretanto adiado por dez dias, segundo o ministério da Defesa, devido à alteração na composição da comissão de fiscalização da reprivatização, que passará a ser liderada pelo presidente do grupo Frezite, José Manuel Fernandes, depois do pedido de demissão apresentado por Francisco van Zeller.
Embora sem comentar esta nomeação dos ministérios das Finanças e da Defesa, António Costa garante que todo o processo de reprivatização «está inquinado desde o início» e insiste na necessidade de «repensar» a venda do maior construtor naval português.
«É um processo que não tem corrido muito bem ao senhor ministro da Defesa. Esperamos que tenha a capacidade, de uma vez por todas, de parar com isto», afirmou o porta-voz dos 630 trabalhadores.
Na corrida à reprivatização dos estaleiros estão investidores de Portugal, Rússia, Brasil e Noruega, sendo objectivo do Governo concluir este processo até final do ano.

Fonte: Lusa/SOL