Rajat Gupta (à direita) com o seu advogado, à saída do tribunal em Nova Iorque ©AP

Um ex-administrador da Goldman Sachs foi hoje condenado a dois anos de prisão e uma multa de cinco milhões de dólares (3,9 milhões de euros) por dar informação privilegiada a um investidor conhecido, noticia a AP.
Rajat Gupta, de 63 anos, nascido na Índia, educado em Harvard, uma figura respeitada na praça financeira nova-iorquina, é um dos maiores responsáveis do mundo financeiro punidos no âmbito da repressão do uso de informação privilegiada, que já conduziu a 69 condenações.
Ao ler uma declaração, Gupta afirmou: «Lamento terrivelmente o impacto deste assunto na minha família, nos meus amigos e nas instituições que me são caras. Perdi a reputação que construi ao longo de uma vida. O veredicto foi devastador».
As situações que envolveram Gupta que foram mencionadas durante o julgamento decorreram da sua relação com Raj Rajaratnam, natural do Sri Lanka.
Rajaratnam era um bilionário, gestor de um fundo de investimento que geria mais de sete mil milhões de dólares (5,4 mil milhões de euros), que lhe deu uma posição de destaque e influência nos mercados financeiros que impressionou Gupta.
Os procuradores descreveram como Gupta corria para o telefone para transmitir conselhos de investimento a Rajaratnam segundos depois de reuniões da administração, o que permitiu a este obter mais de 75 milhões de dólares em ganhos ilegais, para ele e os seus investidores.
Rajaratnam está a cumprir uma sentença de 11 anos, depois de ter sido condenado no ano transacto.
Os procuradores acusaram Gupta, que chefiou a empresa multinacional de consultoria McKinsey & Co. e dirigiu a empresa de produtos de consumo Procter & Gamble, de «desprezo pela lei» ao fornecer informação privilegiada a Rajaratnam entre Março de 2007 e Janeiro de 2009.
O presidente da Goldman Sachs, Lloyd Blankfein, disse em tribunal que Gupta violou as regras de confidencialidade do banco.
«Os crimes de Gupta são chocantes», considerou o governo norte-americano, em comunicado, acrescentando: «Os crimes de Gupta são extraordinariamente sérios e prejudiciais para o mercado de capitais. (...) De forma compreensível, alimentam o cinismo entre o público, que vê Wall Street como uma intrujice e os seus profissionais como alguém que explora injustamente um acesso privilegiado a informação. Isto é particularmente perturbador quando há uma preocupação generalizada com a corrupção, ganância e atrevimento no nível mais elevado da indústria financeira».

Fonte: Lusa/SOL