Um tornado que se formou nos arredores de Évora e alastrou a Castelo Branco deixou ontem um rasto de destruição, sobretudo na capital da Beira Baixa, onde danificou cinco pavilhões industriais e 35 viaturas. Pelo caminho arrancou dezenas de árvores. Não causou feridos, mas os prejuízos são de milhares de euros.



Na Zona Industrial de Castelo Branco viveram-se momentos de pânico, às 14h40. Durou 10 segundos. Jaime Antunes, dono de uma oficina, atendia dois clientes: "Estava a chover com intensidade e parou. Depois começou a ouvir-se um zumbido que parecia um enxame de abelhas e começou tudo a voar dentro da oficina. Corri para me abrigar, mas ainda vi o telhado por cima de mim a ser levantado pelo vento", conta. O empresário, de 48 anos, nunca tinha testemunhado a força de um tornado e ficou assustado "ao ver um carro ser levantado mais de 20 metros no ar e atirado para uma ravina".

Carla Pinheiro, secretária de uma empresa afectada, afirma nunca ter vivido "um terror tão grande" como quando viu o telhado da oficina pelo ar: "Abriguei--me o melhor que pude, mas pensei o pior."

Segundo o Instituto de Meteorologia (IM), ontem foi "um dia de muita instabilidade meteoro-lógica, propícia à ocorrência de fenómenos extremos". "Acompanhámos uma célula que se formou próxima de Évora e se dirigiu para Castelo Branco", adiantou. O mau tempo continua hoje, mas deve melhorar durante o fim-de--semana.

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