Jeffrey Singer, psicólogo clínico contratado pela defesa de Renato Seabra, considerou ontem "insultuosa" a sugestão da procuradora Maxime Rosenthal de que o jovem enganou o pessoal médico, fingindo problemas mentais para fugir à Justiça após o homicídio de Carlos Castro.



Singer sublinhou que, em milhares de páginas que documentam a passagem de Renato Seabra por três unidades psiquiátricas diferentes, e mais de uma dezena de médicos, "nem uma vez" é referido o paciente poder estar a "fingir doença ou a enganar".

O psicólogo afirmou que Renato Seabra era observado por médicos todos os dias, de 15 em 15 minutos em alguns períodos, e nada no seu comportamento indicou que pudesse estar a simular sintomas de psicose.

Estes comportamentos, registados pelo pessoal hospitalar, incluíram identificar-se como Abacaba [nome de um génio de um livro para crianças escrito por Michael Naylor] ou Jesus, despir-se e fazer exercício, vestir-se de super-herói, relatar ouvir vozes e receber ‘mensagens’ dos livros, e dizer que queria matar todo o pessoal do hospital.

Escudando-se em relatórios de médicos que avaliaram o jovem em três unidades psiquiátricas, afirma que, na altura do crime, o jovem "estava em pensamento delirante, num episódio maníaco e desordem bipolar com características psicóticas graves" e, como tal, não deve ser considerado culpado.

A defesa argumenta que foi a doença mental a levar ao crime, após o qual o jovem se passeou pelas ruas da cidade num estado de alucinação, tocando nas pessoas.

A acusação sustenta que foi "raiva, desilusão e frustração" a levar Renato Seabra a matar o colunista social, pelo que é criminalmente responsável.

cm