A grande maioria dos fumadores portugueses continua a preferir os cigarros de maço mas o consumo de tabaco de enrolar aumentou este ano 400%, de acordo com o estudo ‘Portugal sem fumo’, realizado entre 6 de Junho e 6 de Julho deste ano, por investigadores independentes da Universidade da Beira Interior.



“Os fumadores, que são 15,4% dos 1002 inquiridos, preferem os cigarros de maço porque precisam de repor os seus níveis de nicotina de forma automática e porque o design destas embalagens é muito mais apelativo. No entanto, o consumo de tabaco de enrolar disparou, uma vez que registou um aumento de 400%”, garantiu Sofia Ravara, co-autora do estudo, divulgado esta quinta-feira, em Lisboa.

O preço, apesar de influenciar a escolha do tipo de tabaco, não determina a vontade em deixar de fumar, já que 37% dos inquiridos afirmou que, se o preço do maço de tabaco aumentasse para os seis euros, em primeiro lugar mudaria para uma marca mais barata e só depois pensaria em deixar de fumar (33%).

“A indústria tabaqueira é muita assertiva no apelo aos consumidores, com avisos, cartazes luminosos que os chamam à atenção para as marcas mais baratas. Além disso, ajustam os preços das marcas de acordo com a diminuição do consumo. Apesar de ser proibido, continua a haver raparigas jovens a fazer promoção de determinadas marcas nos pontos de venda. Os programas de prevenção do tabagismo não acompanham a agressividade das campanhas de marketing das tabaqueiras”, acrescentou.

Para os especialistas, a falta de concorrência entre as marcas mais baratas e as mais caras pode ser resolvida com “o aumento substancial do preço final de venda ao público para todos os produtos do tabaco, a ser acompanhado pelo aumento de impostos sobre os mesmos, cujas receitas para o Estado deverá reverter para auxiliar o tratamento para a cessação tabágica, a formação dos profissionais de saúde e a prevenção e controlo do tabagismo”.

Como tal, os especialistas recomendam que a nova legislação garanta a proibição de tabaco com sabores, que promovam o prazer de fumar, e que as embalagens de todos os produtos do tabaco sejam neutras, tenham mensagens e imagens chocantes e que não tenha qualquer informação sobre os constituintes do tabaco.

“As indústrias tabaqueiras sabem que as pessoas prestam muita atenção aos constituintes do tabaco porque pensam que o facto de só ter uma determinada percentagem de alcatrão, por exemplo, significa que aquele produto é menos prejudicial e, como tal, não fará tão mal à saúde. Na verdade, estamos a falar de produtos que são tão tóxicos que não há um limite seguro para o seu consumo”, concluiu a investigadora Sofia Ravara.

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