William Barr, psicólogo arrolado pela acusação a Renato Seabra, defendeu nesta sexta-feira nu8m tribunal de Nova Iorque que o jovem português fugiu conscientemente do local do homicídio de Carlos Castro e que exagerou na descrição do crime para "parecer louco".



Director de Neuropsicologia na Universidade de Nova Iorque, Barr foi interrogado por um dos advogados de defesa de Seabra, David Sinins, durante duas horas com momentos de tensão entre ambos e também com a procuradora Maxine Rosenthal, levando o juiz a intervir várias vezes para serenar os ânimos.

"Ele elabora progressivamente os detalhes de um crime horrendo para o fazer parecer cada vez mais louco a toda a gente com quem fala. No final, já estava a beber sangue", disse Barr, referindo-se a um facto admitido pelo jovem na entrevista mais recente, a um psicólogo chamado pela defesa.

Barr rejeita a tese da defesa de que Seabra não tem responsabilidade criminal pelo violento crime de 7 de Janeiro de 2011, devido a problemas mentais que o impediram de ter consciência dos seus actos.

No início de 2012, Barr diagnosticou a Seabra "distúrbios emocionais com traços psicóticos em remissão total", após seis horas de entrevista pessoal e de rever os registos dos diferentes médicos que o avaliaram, além de provas do crime.

Defende que o motivo do homicídio, seguido de tortura e mutilação, foi apenas "raiva" e que a violência praticada é semelhante dos cartéis de droga no México.

Perante a questão "hipotética" colocada por Sinins, sobre se Renato Seabra seria criminalmente responsável caso em estado psicótico tivesse assassinado Castro "seguindo as instruções de Deus ou de uma voz" que na sua cabeça dizia que era justo, o psicólogo defendeu que "não é isso o que o seu comportamento mostra".

"Depois de cometer o crime, foge do local, com 1700 dólares, passaporte, vai para [o terminal de transportes de] Penn Station? Penso que provavelmente está a fugir", disse Barr.

Escudando-se em diagnósticos psiquiátricos feitos em três unidades psiquiátricas, a defesa sustenta que na altura do crime, Renato Seabra "estava em pensamento delirante, num episódio maníaco e desordem bipolar com caraterísticas psicóticas graves", logo não deve ser considerado culpado.

Aponta ainda para a natureza brutal das agressões, incluindo mutilações genitais da vítima, como prova de que Seabra estava sob efeito de uma psicose, tal como o facto de ter relatado a dois psicólogos ter obedecido a "vozes" dentro da sua cabeça, nomeadamente durante a mutilação.

Disse ainda que "as vozes" o levaram a acreditar que matar e mutilar Castro lhe daria poderes para curar as outras pessoas.

Barr retorquiu não dar credibilidade ao relato e apontou "inconsistências" ao jovem durante a entrevista, em particular em relação ao que alegadamente fez depois de mutilar os órgãos genitais.

"Tive de perguntar três vezes algo de interesse óbvio para o caso e ele nem se lembrava", disse o psicólogo.

A defesa procurou argumentar perante os jurados que o diagnóstico de bipolaridade feito a Seabra nos dois hospitais logo após o crime é mais importante que o de Barr, que o questionou um ano depois dos factos.

Este sustentou que está hoje em melhor condição de fazer um diagnóstico do que os psiquiatras na altura, sabendo que Seabra não tem um historial de doença mental e considerando não serem convincentes os sinais de eclosão de psicose nos dias antes do crime.

Apoia o seu diagnóstico também no facto de, um ano depois do crime, Seabra "não revelar sinais" de psicose, apesar de ter cometido um "acto raivoso violento" contra uma pessoa.

A defesa de Renato Seabra continuará a interrogar Barr na próxima quarta-feira.

cm