Ele chegou a casa bêbedo. E como não conseguiu abrir a porta, começou aos murros e pontapés. Quando a minha filha abriu, ele quis bater-lhe, mas eu não deixei e defendi-a. Nessa altura, foi à cozinha buscar uma faca e veio na minha direcção.



Ainda consegui travar os primeiros golpes, mas ele acabou por me dar duas facadas no peito e no braço." O relato é de Ana Andrade, funcionária do Hospital da Força Aérea, de 39 anos, que ontem de madrugada foi esfaqueada pelo companheiro na casa onde residem, em Bicesse, Cascais. A cena foi presenciada pelos quatro filhos da vítima, com idades entre os 12 meses e os 18 anos, que tinham sido acordados pelos gritos do padrasto.

Ana Andrade sofreu golpes e teve de ser transportada para o hospital de Cascais, onde foi suturada. "Por sorte, o golpe no peito não foi muito profundo", disse ao CM após ter alta hospitalar.

Otílio Veiga Pereira, trabalhador da construção civil actualmente desempregado, de 41 anos, foi detido pela GNR de Alcabideche ainda no apartamento da família, na rua das Cotovias, em Bicesse, e será hoje presente a tribunal.

Segundo o CM apurou, o alerta para as autoridades foi dado por uma vizinha, depois de ouvir os gritos de socorro e de ver Ana Andrade a fugir de casa com os quatro filhos. Ontem à tarde ainda era visível o sangue da vítima na entrada e nas escadas do prédio.

De acordo com Ana Andrade, "esta não foi a primeira vez que Otílio chegou bêbedo a casa, mas nunca tinha sido tão violento". A mulher garante que não vai retirar a queixa e que "nunca mais" deixará o companheiro voltar a casa. "Se o fizer, sei que será pior para mim e para os meus filhos. Não tem perdão", diz ao CM.

cm