Na informação dada aos interessados na compra da ANA, Executivo anuncia planos de expansão da Portela, em cinco anos, no valor de 54 milhões de euros.
Aeroporto complementar é adiado para 2022.
Tão cedo não haverá um aeroporto complementar na zona de Lisboa e as companhias low cost vão, afinal, ficar na Portela, que será ampliada. A decisão do Governo consta do memorando de informação facultado aos interessados na privatização da ANA – Aeroportos de Portugal, que tiveram de entregar as propostas não vinculativas com ofertas preliminares até à passada quarta-feira.Segundo o documento, consultado por cerca de quatro dezenas de interessados, a construção de um pequeno aeroporto complementar em Lisboa (Portela +1) – vocacionado para as low cost – foi adiado, pelo menos, para 2022. A opção de avançar ou não fica nas mãos do novo dono da empresa gestora aeroportuária nacional.
Em contrapartida, e para que se possa aumentar a capacidade do aeroporto da Portela, o Executivo informa que, para os próximos cinco anos, estão previstos investimentos no valor de 54 milhões de euros. Obras que permitirão passar dos actuais 38 para 46 movimentos por hora (descolagens e aterragens ) e de 15 para 21 milhões de passageiros anuais.

Plano com três fases


No memorando, o Governo explica que foram desenvolvidos planos de expansão da Portela em três fases. A primeira está planeada já para 2013, e implica um custo de cerca de sete milhões de euros em pequenas obras. Isto, de forma a que seja possível realizar entre 40 a 43 movimentos por hora, e se atinjam os 18 milhões de passageiros por ano.
A segunda fase, cujo início está programado para 2018, necessita de um investimento de 47 milhões de euros. E passa pela realização de grandes obras – como a construção de um novo terminal e de novos caminhos de circulação – e a extensão para Figo Maduro, o que exige a realização de expropriações de terrenos.

Opções para o comprador


Para a terceira fase, prevista para 2022, são avançadas três opções, cabendo a escolha ao futuro comprador da ANA. Uma das hipóteses é a realização de mais obras na Portela, alargando a capacidade para 50 movimentos por hora e 23 milhões de passageiros ano.
Outro dos cenários seria avançar com um aeroporto complementar à Portela – sendo já indicado que o estudo feito por peritos da área, a pedido do Governo, concluiu que a melhor opção seria, nesse caso, é a base militar do Montijo. Não é dado, porém, nenhum valor de investimento, na medida em que, segundo o documento, qualquer estimativa está dependente do tipo de aeroporto e infra-estruturas que se desejar.
Fica assim adiada a ideia de colocar, para já, as companhias de baixo custo numa base militar perto de Lisboa, como chegou a ser anunciado pelo ministro da Economia. Segundo o SOL apurou, as próprias low cost não terão manifestado grande interesse em sair da Portela, onde se encontram a apenas 15 minutos do centro da cidade. Para elas, só faria sentido mudar para a base militar se o preço das taxas aeroportuárias fosse muito mais baixo.
A terceira e última opção dada, no memorando, ao futuro comprador é a construção de um novo aeroporto em Lisboa.

Concessão por 50 anos


Certo é que, sabe o SOL, o contrato de concessão da ANA – negócio com o qual o Estado espera um encaixe de dois mil milhões de euros – será feito por 50 anos, período ao fim do qual o negócio pode ser ou não renegociado.
As propostas entregues serão, entretanto, analisadas por uma comissão que decidirá quem tem capacidade para apresentar propostas vinculativas, o que terá de ser feito até ao final do ano. Fora da corrida à privatização da ANA (que Passos Coelho quer concluir no início de 2013), está a Brisa, que em comunicado informou que desistiu por limitações de financiamento. Já os argentinos da Corporación América, os colombianos da Odinsa – cujo consórcio incluirá a Mota-Engil –, a brasileira CCR e a alemã Fraport manifestaram interesse em concorrer.

Fonte: SOL