O advogado Cláudio Mendes, assassinado a tiro pelo ex-sogro em Fevereiro de 2011, "estava curado" da doença psiquiátrica que lhe foi diagnosticada, afirmou ontem, no Tribunal de Anadia, o psiquiatra Carlos Pereira, que o tratou durante quatro anos.



Após o tratamento, Cláudio era, segundo o médico, uma pessoa normal, com capacidade para gerir a sua vida e não representava perigo para a filha, de quatro anos: "Ele vivia para protegê-la".

Em julgamento, testemunhas falaram da sua recusa em tratar-se, mas, ontem, o médico contou que o advogado foi livremente ao seu consultório e tomou a medicação. Melhorou e deixou de a tomar entre 2009 e 2010 por sugestão do próprio psiquiatra, que considerava que aquele estava curado.

Meses antes do homicídio, o arguido, Ferreira da Silva, procurou o médico para tentar saber o que se passava com Cláudio. Marcou consulta, mas apenas o questionou sobre o que se passava com o ex-genro. "Podemos dizer que foi tentar tirar nabos da púcara?", questionou José Ricardo Gonçalves, advogado dos pais da vítima. "Em certa medida, sim. Mas penso que também estaria preocupado", disse o médico, acrescentando que o engenheiro saiu frustrado por não obter a informação.

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