Renato Seabra matou por raiva e com uma violência semelhante à dos cartéis de droga mexicanos." Foi desta forma que William Barr, director de neuropsicologia da Universidade de Nova Iorque descreveu ontem em tribunal o homicídio de Carlos Castro, rejeitando totalmente a tese da defesa de que o modelo português deve ser ilibado devido a problemas mentais que o impediram de ter consciência dos seus actos.



"Quis humilhar a vítima, tirar-lhe a virilidade, algo frequente entre homens zangados. Infelizmente, não é raro. Vê-se nos homicídio de cartéis do México, em que as vítimas aparecem com mutilações genitais", afirmou o psicólogo, que entrevistou Renato Seabra durante seis horas e analisou os registos dos médicos que avaliaram o modelo nas instituições psiquiátricas onde esteve internado. William Barr afirmou mesmo que Renato Seabra tem vindo a dar relatos cada vez mais bizarros relacionados com a mutilação e com o facto de obedecer a "vozes" na sua cabeça. "Torna-se tudo mais estranho à medida que avançamos, mas ir acrescentando um ponto à história é próprio da natureza humana."

Os testes ministrados a Seabra não detectaram sinais de exagero de sintomas ou mesmo fingimento, mas o psicólogo ainda acredita nesta possibilidade. "Também não posso excluir [fingimento], porque há elementos do historial e apresentação de sintomas e outras coisas que me levam a acreditar que há uma possível fabricação de sintomas em alguns casos", adiantou.

A acusação afirma que Renato Seabra fingiu ter problemas mentais após encontros com o seu advogado.

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