O grupo detido esta semana é já o oitavo gangue que a Judiciária desmantela desde que estes assaltos com gás a multibancos despontaram no país.
Desde Maio do ano passado até agora, foram registados 173 ataques, que equivalem a lucros na ordem dos 1,6 milhões de euros e danos avultados, ainda por contabilizar. Os distritos mais afectados são o de Lisboa, onde se concentram 26% destes ilícitos, seguido de Setúbal (18%), do Porto (12%) e de Santarém (9%). Este tipo de crime foi introduzido no país por uma rede romena (conhecida por ‘Grupo Oeste’), também já desmantelada pela PJ, que começou a sua actividade criminosa no início de Maio de 2011.
Pouco tempo depois, surgiram outros grupos que tentaram usar o mesmo método. Mas enquanto o grupo ‘original’ teve sucesso num curto espaço de tempo – à conta de cinco assaltos, entre Torres Vedras, Nazaré e Bombarral, em que lucrou para cima de 120 mil euros (o dinheiro normalmente existente em cada multibanco pode ir até 60 mil euros) – os grupos que se formaram depois não revelaram a mesma perícia. Muitas vezes, era maior a destruição provocada nas áreas envolventes das caixas ATM assaltadas do que o lucro do roubo.
Os investigadores rapidamente concluíram que não havia qualquer ligação entre os grupos.
Segundo uma fonte contactada pelo SOL, verificava-se «um efeito de mimetismo em relação ao primeiro grupo que praticou os assaltos na zona Oeste».
O que distingue o gangue do Oeste dos restantes resume-se a duas questões fundamentais: a escolha do local onde a máquina está colocada e o espaço, que tem de ter condições para os assaltantes se protegerem. Para isso, os romenos optavam por multibancos em ambientes industriais ou comerciais onde as ATM estão emolduradas por vidro: após a explosão (que provoca a abertura do cofre que se encontra nas traseiras da máquina), este estilhaça com facilidade, permitindo o acesso ao edifício e o saque.
Além disso, este grupo do Leste, que deu mais trabalho aos inspectores da UNCT, actuava de forma organizada, em locais com acessos que permitiam uma fuga rápida e retiravam-se do país, mantendo-se inactivos durante algum tempo – e dando água pela barba aos inspectores.
Os grupos que se formaram depois, além de não acertarem na fórmula que provoca a combustão e que faz abrir o cofre, foram apostando em máquinas embutidas nas paredes dos edifícios. Após injectarem a mistura de gás na ranhura do ATM, não se protegiam devidamente, tendo alguns sido vítimas da explosão (que é rápida e violenta, projectando-se para o lado oposto do multibanco e destruindo tudo o que estiver num raio próximo).

Fonte: SOL