Chama-se ‘procura activa de emprego’ e tornou-se um ritual diário para milhares de portugueses. O fenómeno é nacional, e os passos a dar são quase sempre os mesmos: entrar em lojas, mostrar disponibilidade e pedir um emprego. No caso de a resposta ser negativa, é hora de pedir que o gerente ou o dono do estabelecimento ateste que o candidato a empregado esteve ali, à procura de trabalho. Para isso, é preciso carimbar um documento do Instituto de Emprego e Formação Profissional. E continua-se a receber o subsídio de desemprego.



Mas enquanto alguns imploram por uma ocupação, mostrando desespero pela falta dela, também há quem peça directamente o carimbo. Nesses casos, a resposta dos patrões é quase sempre a mesma. "Mando-os logo sair daqui. Se chegar alguém educado, que mostre que realmente precisa de um emprego, muito bem. Se pedirem logo um carimbo, nada feito". O testemunho é de um comerciante da Baixa do Porto - e cujas palavras representam o que a grande maioria dos patrões pensa acerca dos carimbos. "Assim, até parece que compensa receber o subsídio de desemprego. Basta percorrer algumas ruas e depois entregar os papéis carimbados", diz um outro lojista.

A procura pelo atestado de procura de emprego até já serve como oportunidade de negócio. "Chegaram a pedir-me cinco euros para carimbar a folha. É inadmissível que andemos à procura de um emprego, e ainda nos tentem explorar", revelou ao CM um dos milhares de desempregados em Portugal, que não se quis identificar.

O número de carimbos que cada desempregado precisa varia de acordo com a situação profissional, e as provas de procura de emprego têm sempre de ser feitas. Os beneficiários do subsídio podem responder a anúncios, colocar o seu próprio anúncio na internet ou comparecer em entrevistas de emprego - e tudo isto deverá ser atestado com documentos assinados e carimbados. É obrigatória a comparência quinzenal na Segurança Social da área de residência.

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