Olhou várias vezes para José Guedes, no Tribunal de Aveiro, onde o homem está a ser julgado pelo homicídio de Filipa Ferreira no ano 2000. Porém, ontem, a psicóloga Carla Moreira afirmou aos juízes não reconhecer o arguido – ao contrário do que diz a tese da acusação, na qual consta que Carla ouviu do ‘Estripador’ a confissão dos crimes de Lisboa, tendo-o depois reencaminhado para um psiquiatra.



"Segundo indicações da Felícia Cabrita, eu atendi o senhor. Olhando para ele, não me lembro, mas ela disse-me que sim e não me ia mentir", justificou Carla Moreira, afirmando ainda que não tem qualquer memória das conversas que terá mantido com o arguido, mas que tal poderá ter acontecido. "Se de facto percebi que ele tinha sintomas de psicopatologia, encaminhei--o para um psiquiatra", disse.

Seguiu-se o testemunho de Felícia Cabrita, jornalista do ‘Sol' a quem Guedes confessou a autoria dos três homicídios de Lisboa - que vitimaram três prostitutas nos anos 90 - e ainda a morte de Filipa. A testemunha, que revelou ter tido conhecimento do caso através de Pedro Joel, filho de Guedes, contou como correram as entrevistas com o arguido e afirmou que, quando este lhe falou no crime de Aveiro, fez "diligências" e usou métodos de investigação para saber mais pormenores. "Fiz várias perguntas para ver se ele se descaía", disse Felícia Cabrita, referindo-se ao facto de o arguido não ter dito correctamente, quando questionado pela primeira vez, que o crime ocorreu em Janeiro do ano 2000.

Na sessão de ontem, foi ainda ouvido Manuel ‘Rola', o homem com quem Filipa mantinha uma relação e que chegou a estar em preventiva. Ontem, confirmou que a mãe lhe chegou a bater "com uma vassoura nas costas" por suspeitar de que ele fosse o culpado. "Mas se eu gostava dela, porque lhe ia fazer mal?", questionou, não conseguindo explicar a origem de um fio encontrado em sua casa - que na altura foi associado à arma do crime que vitimou a prostituta, de 18 anos.

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