"Avisei-te que isto não ia ficar assim”, terão sido as palavras usadas por Maurício Silva quando desferiu quatro facadas no corpo da ex-mulher, depois de ter abalroado, para fora da estrada, o carro onde a vítima seguia com o namorado.



Foi a 24 de Fevereiro que deixou Mónica Vilela, de 37 anos, às portas da morte. Para o Ministério Público, ontem nas alegações finais do caso, em Torres Vedras, “o arguido queria matar”.

O crime foi o culminar de meses de ameaças e de perseguições à mulher de quem estava separado.

“Tudo leva a crer que queria matar, o que só não sucedeu porque a vítima foi rapidamente assistida”, disse a procuradora. Quanto às razões do ataque, o operário da construção civil, de 37 anos, alegou: “Queria saber se ela levava a minha filha no carro e para onde iam. Fiquei nervoso. Só a queria assustar”. Quando a esfaqueou – três vezes no tórax e uma no pescoço – Maurício Silva acabou travado pelo namorado da vítima e entregou-se. Ficou em prisão preventiva.

O MP pediu condenação por tentativa de homicídio qualificada e violência doméstica. A defesa pediu pena suspensa. Mónica saiu do tribunal em lágrimas. Do casamento de 18 anos guarda as cicatrizes da noite em que sobreviveu ao brutal ataque.

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