Milhares de polícias – agentes da PSP e militares da GNR – não recebem o pagamento dos gratificados desportivos desde o início do ano. No total, a dívida ascende, defendem os representantes dos sindicatos das duas forças de segurança, a mais de um milhão de euros (meio milhão por cada instituição).



Isto corresponde aos serviços prestados em recintos desportivos de todas as competições amadoras e escalões jovens de norte a sul do país – o Ministério da Administração Interna (MAI) é o responsável pelo pagamento destes serviços, ao contrário do que se passa com as competições profissionais em que são os clubes que pagam.

Ontem, fonte oficial do MAI recusou-se a comentar a situação ao CM. Os sindicatos têm reunido com a tutela para encontrar soluções. Uma delas é a extinção deste serviço como gratificado, incluindo-o como serviço normal. "Através das reuniões que temos tido com a tutela apercebemo-nos de que há três soluções em cima da mesa: ou se resolve este problema financeiro que está a dificultar a vida económica dos polícias, ou se inclui estes serviços ao horário normal de trabalho ou então acaba-se com este trabalho e só em caso de desordem a polícia é chamada", referiu António Ramos, presidente do Sindicato dos Profissionais de Polícia. E acrescenta: "Os polícias são obrigados a fazer este trabalho. Não o podem recusar sob pena de serem punidos disciplinarmente".

Já César Nogueira, que lidera a Associação dos Profissionais da Guarda, diz que a solução passa por o pagamento dos remunerados ser feito antes de realizado. "Os militares não vão faltar ao trabalho como é óbvio. Agrupar o trabalho é que não pode ser, uma vez que ia retirar profissionais ao trabalho de patrulha", concluiu o sindicalista.

GRATIFICADOS SOBEM DE VALOR

Entrou em vigor em Agosto a nova tabela de gratificados – serviços remunerados fora das horas de serviço –, que aproximou o valor a pagar entre polícias de vários escalões. Por períodos de quatro horas, elementos da PSP e da GNR passaram a ganhar, em alguns casos, mais 10 euros do que na tabela anterior. Ainda a título de exemplo, num gratificado desportivo um agente deixou de ganhar 19,12 euros e passou a auferir 36, subindo este montante para 51 euros ao fim-de-semana.

PROMOÇÕES AVANÇAM NA PSP

O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, autorizou a PSP, no mês passado, a abrir concursos para a promoção de 367 chefes a chefes principais e 500 agentes a agentes principais. Foi ainda aberto um concurso com 200 vagas para o curso de chefes, que terá lugar na Escola Prática de Polícia, em Torres Novas. O curso deverá começar já no início do próximo ano. Até lá têm lugar os testes teóricos e práticos para a selecção dos alunos.

cm