Duas instituições bancárias estão a estudar a criação de um produto, semelhante a uma conta poupança, destinado ao pagamento dos serviços fúnebres. A proposta foi feita pela Associação Nacional de Empresas Lutuosas (ANEL) e prevê que qualquer pessoa defina o valor a gastar no respectivo funeral, fazendo para isso depósitos ao longo da sua vida até cobrir a despesa.



"Ganhamos todos com a existência deste produto. É útil para o banco porque as pessoas depositam o dinheiro para um fim específico, que só poderá ser mexido após a apresentação de uma factura. É útil para as pessoas porque fazem os depósitos ao seu ritmo e com a garantia de que o dinheiro não se perde. Para as agências funerárias é a garantia de que os nossos serviços são efectivamente pagos", explicou ao CM Carlos Almeida, presidente da ANEL, dando conta das crescentes dificuldades das famílias em pagarem as despesas com os serviços fúnebres: "Muitas famílias não têm dinheiro para comer, quanto mais para um funeral".

A pensar nas pessoas e no garante do negócio das funerárias, a conta poupança para a morte irá permitir ao beneficiário definir o valor que pretende pagar pelo funeral. "Se houver mais dinheiro nessa conta, o remanescente será distribuído pela família", acrescentou.

Ontem, no último dia de Todos os Santos assinalado com feriado, milhares de pessoas rumaram aos cemitérios para prestar homenagem aos seus entes queridos já falecidos.

Confrontados com o facto de entre 2013 e 2017 não poderem usufruir do dia para tratar dos mortos, muitos não esconderam a revolta com a decisão do Governo. "Para o ano, quem estiver a trabalhar já não vai conseguir ir a um cemitério tratar dos seus queridos, ir à missa ou apenas limpar a campa", lamentou Fernanda Eduardo, para quem "o dia 1 de Novembro e não outro dia qualquer é a data para se assinalar a morte de familiares e amigos".

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