Natalya está em Portugal há vários anos. É ucraniana e apostou num negócio seu em Loures. Diz que vinha preparada para o crime em Portugal, porque no seu país era "três vezes pior". Mas essa opinião faz parte do passado. "Quando cheguei cá sentia-me segura, mas as coisas mudaram muito. Agora tenho medo de andar na rua. Assaltaram-me três vezes nos últimos dois anos. Uma aqui e duas à porta de casa", contou ao CM a comerciante de 37 anos.



Pela rua da República – a principal da cidade – passam centenas de pessoas todos os dias. É ali que se concentram os transportes e o comércio. Quem passa pelas paragens de autocarro facilmente observa a atitude dos passageiros: com as malas bem seguras junto ao corpo. Os assaltos por esticão nestas situações são reconhecidos pela autarquia. "Nas paragens pode sempre haver essas circunstâncias. Mas, por vezes, estamos muito tempo sem que aconteçam", disse Carlos Teixeira, autarca. O problema, diz, é o facto de o concelho ser um local de passagem. "Para além dos bairros, somos atravessados por várias vias. E os ladrões passam muito por aqui".

Discurso directo

Carlos Teixeira, presidente Câmara de Loures

"Crimes contra as pessoas chocam-nos"

Correio da Manhã – Considera Loures uma cidade segura?

Carlos Teixeira – Há sempre alguns assaltos. Temos áreas mais problemáticas do que outras, principalmente em redor da cidade.

– A população queixa-se?

– Há uns tempos, na zona de Sacavém, os comerciantes queixaram-se. Estava a haver assaltos e queriam estar abertos até mais tarde. No Inverno, por ser noite mais cedo, é mais complicado.

– Quais os crimes que mais o preocupam?

– Tudo o que tem a ver com crimes contra as pessoas chocam-nos. Agora mata-se por tudo e por nada.

– O que tem feito para combater a insegurança?

– Depois de uma fase mais complicada na Quinta da Fonte foi criado um Contrato Local de Segurança, onde há um policiamento de proximidade. Em 2013, está também previsto avançarmos com a Polícia Municipal.

cm