O professor universitário e antigo ministro da Economia do Governo de Salazar Luís Maria Teixeira Pinto faleceu na noite de hoje, aos 86 anos, no Hospital de Santo António, no Porto.«Era uma personalidade intelectualmente superior, do ponto de vista da cultura cívica, um humanista que se alicerçava nos clássicos do pensamento económico e social, e cuja morte constitui, por isso, uma perda muito significativa para o pensamento económico nacional e para a conceptualização do comércio internacional», considerou, em declarações à agência Lusa, o presidente da Câmara de Baião (de onde era natural Luís Maria Teixeira Pinto) e da federação distrital do PS Porto, José Luís Carneiro.
«Conterrâneo» e «amigo» de Teixeira Pinto, José Luís Carneiro recorda também ter sido seu assistente na cadeira de Complementos da Economia Internacional, na Universidade Lusíada, e destaca como outros assistentes do professor universitário nomes como Cavaco Silva, Eduardo Catroga e Teodora Cardoso.
Segundo destaca, o antigo ministro tinha «uma visão muito lúcida da vida, das nações e também da vida económica mundial», tendo sido «chamado, aos 29 anos, para o Governo de Salazar».
Ministro da Economia entre 1962 e 1965, cargo que acumulou com o de secretário de Estado da Indústria até 1964, Luís Maria Teixeira Pinto foi, de acordo com o autarca de Baião, «um dos impulsionadores da cadeira de Comércio Internacional do país».
Enquanto ministro, foi também «um dos impulsionadores do Plano Nacional de Barragens», assumindo-se como um «defensor da necessidade de o país garantir uma maior autonomia energética nacional».
Licenciado em Finanças e doutorado pelo Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras de Lisboa, Teixeira Pinto possuía também uma licenciatura em Economia e doutoramento pela Faculdade de Direito da Universidade de Paris.
Além da carreira académica, foi consultor da secção comercial do Fundo de Fomento da Exportação em Paris (1955), director do Gabinete de Estudos e Projectos do Banco de Fomento Nacional, vice-governador do Banco de Fomento Nacional (1965-1970) e presidente da Sociedade Financeira Portuguesa (1969-1974).
Na Assembleia Nacional, distinguiu-se nas críticas ao sector liberalizante da equipa de Dias Rosas, alinhando na ala mais conservador a integrista, chefiada por Franco Nogueira.
«Era uma personalidade de uma cultura vastíssima, era um espírito muito arguto, de uma acutilância extraordinária», resumiu à Lusa José Luís Carneiro.

Fonte: Lusa/SOL