João Cordeiro, Pres. da Ass. Nacional de Farmácias, analisa quebra de receitas existente na venda de medicamentos .



Correio da Manhã – Perante a dificuldade financeira das farmácias, admitiu que este mês possa haver falta de medicamentos . O risco permanece?

João Cordeiro – Sim, é uma ameaça que ainda não está afastada. Essa dificuldade é já visível. Os doentes são obrigados a deslocarem-se por várias vezes à farmácia para aviar uma receita, porque as farmácias não possuem dinheiro para repor na totalidade os stocks.

– Qual o seu comentário às palavras do secretário de Estado da Saúde, Leal da Costa, no Congresso dos Farmacêuticos, em que aponta um referencial de confiança aos dez mil profissionais do sector?

– São palavras bonitas de reconhecimento do papel do sector, mas que nada dizem sobre a crise que afecta as farmácias. O Governo tem uma política de avestruz em que face ao problema mergulha a cabeça na areia.

– Nos últimos dois anos a despesa do Estado para com as farmácias em medicamentos desceu 600 milhões de euros. Ainda há margem para redução nas comparticipações?

– Não. A continuar a redução do preço dos medicamentos genéricos, verificamos que em 2014 serão gratuitos. Numa hipótese de continuação da descida dos preços, em 2019 as farmácias ficarão obrigadas a dar 140 milhões de embalagens a custo zero.

– Haverá mais cortes em 2013?

– Na proposta de Orçamento são referidos cortes no ambulatório de 146 milhões de euros, mas não se verifica redução na despesa hospitalar. São sempre as farmácias a pagar.

– Na campanha ‘Farmácias de Luto’ prevê o fecho de 600 unidades até Dezembro?

– É verdade, a situação é insustentável para muitos.

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