Sargentos criticam Aguiar-Branco por 'usar cerimónias para mandar recados'

O presidente da Associação Nacional de Sargentos, Lima Coelho, acusou hoje o ministro da Defesa de «usar cerimónias e púlpitos para enviar recados» quando «nunca procurou» reunir-se com as associações socioprofissionais, «à luz da lei».
«Todos os que assistiram a este debate no Parlamento ficaram com uma ideia de um país completamente diferente daquele que na realidade existe, diria que no mínimo o senhor ministro foi muito habilidoso com as palavras», afirmou António Lima Coelho.
O sargento-chefe da Força Aérea e dirigente associativo falava aos jornalistas no final do debate na especialidade da proposta de Orçamento da Defesa para 2013, que contou com a presença dos líderes das três associações socioprofissionais nas galerias do Parlamento.
«Um ministro que sabe que não cumpre determinadas leis e vem ali dizer que tem um profundo respeito, que sabe que não ouve [as associações] à luz da lei, lei que ele próprio votou eventualmente como deputado, dizer que as respeita naquela que é a casa da democracia, é no mínimo ofensivo», considerou.
O presidente da ANS criticou ainda que se use «cerimónias e púlpitos para enviar recados quando sabe que tem sede própria para fazer esse tipo de trabalho» e revelou ter recebido uma carta do Ministério da Defesa «há poucos dias» que pede parecer sobre normas do Orçamento quando este «já está no Parlamento».
«Gostaríamos que essas audiências tivessem ocorrido em tempo útil, porque o senhor ministro há uns dias enviou para as associações uma cartinha, estranhamente misturando toda uma série de associações, umas com carácter socioprofissional e outras não, parece-nos pouco sério enviar-nos isto quando o Orçamento já está no Parlamento», declarou.
Lima Coelho sublinhou ainda que «a serenidade existe» na instituição militar «não porque um ministro a decreta», mas pela «elevada consciência do que é a condição militar e o profissionalismo».

Fonte: Lusa/SOL