Os idosos são os mais fáceis de enganar e por isso são o alvo preferencial dos burlões que desde o início do ano já enganaram pelo menos 13 pessoas de Albergaria-a-Velha. De conversa fácil, argumentos convincentes levam as vítimas a entregarem as economias de uma vida.



Rosa tem 74 anos e ainda hoje, passados vários meses, não consegue compreender como é que acreditou nos falsos doutores da Segurança Social, que tão depressa lhe prometeram aumentar a reforma, como lhe pediram as notas que tinha em casa para as trocarem sob pretexto de que iriam sair de circulação. "Foram alguns milhares de euros", diz a vítima, sem revelar o valor.

O número anormal de burlas na pacata cidade já levou a GNR a desenvolver várias acções de informação e prevenção, mas ainda assim insuficientes.

As burlas a par dos roubos com recurso a arma e os esticões são os crimes que mais preocupam a população e a GNR. O policiamento foi reforçado, mas os roubos teimosamente não baixam. "Nos dias de mercado e à noite as pessoas evitam andar sozinhas porque têm medo", diz José silva, morador na rua 25 de Abril.

DISCURSO DIRECTO

"CONTINUAM A CAIR NO CONTO DO VIGÁRIO", Major Manuel Afonso Comando da GNR de Aveiro

Correio da Manhã – O número de burlas preocupa?

Major Manuel Afonso – Este tipo de crime é motivo de grande preocupação, ainda mais por se tratar de pessoas idosas e muitas vezes debilitadas .

– O que tem falhado?

– As nossas equipas foram reforçadas e as acções cada vez mais intensificadas, mas continuamos a perceber que as pessoas, apesar de alertadas, continuam a cair no conto do vigário.

– O que mais pode ser feito?

– Temos de continuar a insistir. Não podemos abrandar as nossas acções, porque cada vez mais cabe-nos ajudar a prevenir este crime que é de difícil combate.

– O que mais o assusta?

– A facilidade com que os burlões conseguem convencer as vítimas, muitas vezes com argumentos sobejamente conhecidos. A maior parte das vezes só depois de eles se irem embora é que se apercebem de que foram enganadas.

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