CGD passa de lucro a prejuízo de 130 milhões

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) obteve prejuízos de 130 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, penalizada por mais de mil milhões de euros em provisões e imparidades que teve de constituir, divulgou hoje o banco público.
Estes prejuízos comparam com lucros de 12,9 milhões de euros no período homólogo e devem-se, sobretudo, à constituição de 1.094,7 milhões de euros de provisões e imparidades (que designam a diferença entre o valor real de um activo e o valor registado no balanço), número que deverá aumentar para 1.200 milhões de euros até final do ano, segundo estima a administração do banco.
Destes, a maior parte (773,7 milhões) foram para imparidades de crédito (tendo em conta a elevada quota de mercado do banco nos empréstimos à habitação e construção) e os restantes 321 milhões para provisões e imparidades de outros activos, destinados sobretudo a fazer face à desvalorização de participações que o banco detém. Entram nesta rubrica a Portugal Telecom (55 milhões), La Seda Barcelona (15 milhões), BCP (13 milhões) e ainda Caixa Seguros (85 milhões). Há ainda 30 milhões destinados a cobrir desvalorizações de imóveis recebidos em dação em pagamento, seja por famílias ou por empresas (construtoras e imobiliárias).
Apesar da conjuntura, a CGD destaca o aumento dos depósitos dos clientes, que cresceram 2,4% (1.526 milhões) para 65,6 mil milhões de euros. No entanto, face a Setembro de 2011, o aumento foi de 0,5%. Já na rede comercial em Portugal, os depósitos de particulares subiram dois mil milhões de euros ou 4,6% em termos homólogos, frisa.
Em Setembro, a CGD tinha concedido em crédito a clientes 79,6 mil milhões de euros, menos 5,9% do que há um ano, «reflectindo o contexto recessivo da economia portuguesa».
Na actividade em Portugal, a queda foi semelhante (6,0%), fixando-se em 62,23 mil milhões. O crédito às empresas cedeu também 5,9% para 23,0 mil milhões e nos particulares recuou 3,9% para 33,6 mil milhões de euros.
Apesar destas quedas, o banco público realça que foram inferiores às registadas no mercado, pelo que a CGD afirma ter reforçado a posição como principal emprestador em Portugal, ao conceder 21,5% de todo o crédito e 17% do crédito às empresas.
O rácio de transformação de depósitos em crédito acabou nos 116,5%, abaixo da meta exigida pelo Banco de Portugal até 2014 (120%).
Quanto aos custos operativos, estes reduziram-se 3% em termos consolidados para 1.263,2 milhões. Em Portugal, esta queda foi de 8,9% para 648,8 milhões, influenciada pelo recuo de 11,8% nos custos com pessoal para 340 milhões de euros. É de referir que, além de outras poupanças, este ano os trabalhadores da CGD são abrangidos pelos cortes dos subsídios de férias e Natal. Em 2013, o banco vai ter que devolver um subsídio aos funcionários.
O resultado bruto de exploração foi de 1.030,6 milhões em Setembro, mais 23,3%.
Destaque para os resultados em operações financeiras, que se fixaram em 326,4 milhões de euros (face a 2,9 milhões). Uma das variáveis que contribuiu para este desempenho foi a recuperação do valor da dívida pública portuguesa.
Em termos de indicadores de solvabilidade, a Caixa fechou Setembro com o rácio 'core tier 1' exigido pelo Banco de Portugal nos 11,8% e com o mesmo rácio, mas de acordo com as regras mais exigentes da Autoridade Bancária Europeia, nos 9,8%. Em ambos os casos acima dos mínimos exigidos.
O financiamento do banco público junto do Banco Central Europeu fixou-se em 7 mil milhões de euros até Setembro, menos dois mil milhões do que em Dezembro Neste valor, incluem-se 4 mil milhões destinados a financiar as sociedades veículo do BPN.
A actividade internacional foi, até Setembro, negativa em seis milhões de euros, penalizada pelos prejuízos de 78,5 milhões de euros da operação em Espanha. Já os resultados noutras geografias foram positivos, com destaque para Macau e Moçambique. Sem Espanha, referem, o resultado da actividade internacional seria positivo em 72,5 milhões de euros.

Fonte: Lusa/SOL