José Ramos Pires, ex-presidente da direcção do Movimento de Apoio à Problemática da Sida (MAPS) em Faro, terá desviado, em conjunto com a mulher, mais de 115 mil euros da Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS). António Malta, elemento da direcção, quando Ramos Pires foi presidente, é acusado, pelo Ministério Público, de se apoderar de mais de 20 mil. Os três começaram ontem a ser julgados no Tribunal de Faro.



De acordo com a Acusação, a que o CM teve acesso, entre 2001 e 2005, o MAPS, "através de cheques e transferências bancárias, pagou ao arguido Ramos Pires, por intermédio da arguida Ana Paula Paulino [sua mulher], 56 824,16 euros". Os pagamentos foram justificados por serviços de psicologia clínica que, diz o MP, Ana Paulino "nunca prestou".

O ex-presidente do MAPS é ainda acusado de pagar multas e arranjos do carro com dinheiro da IPSS. E terá ainda adquirido, em 2000, uma empresa de contabilidade, que depois contratou para prestar serviços ao MAPS. O MP aponta mais de sete mil euros de pagamentos indevidos à empresa de contabilidade.

Também enquanto presidente do MAPS, Ramos Pires é acusado de receber "indevidamente subsídio no montante de 51 574,47 euros" do FEDER (Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional). Parte da verba foi atribuída para a construção de um centro de acolhimento, em Tavira, que nunca saiu do papel.

Já António Malta é acusado de ter feito "quatro transferências bancárias de uma conta do MAPS, para a sua conta pessoal, no valor total de 20 457,72 euros", em 2002, diz o MP.

Na primeira audiência do julgamento, ontem de manhã, os arguidos afirmaram-se inocentes dos crimes.

cm