Seis transfusões com sangue errado na Clínica de Santo António, na Amadora, custaram a vida a Luís Almeida Oliveira. Este reformado dos CTT morreu a 11 de Dezembro do ano passado, após ser operado ao joelho para ser colocada uma prótese. O doente, de 63 anos, acabou por morrer no Hospital Curry Cabral, em Lisboa, vítima de paragem cardíaca. Quase um ano depois, a Clínica de Santo António, mesmo depois de reconhecer o erro, enviou a conta para casa da viúva de Luís Oliveira: 2306 euros.



A conta só não é maior porque Luís era beneficiário de um sub-sistema de saúde dos CTT – IOS – que comparticipa grande percentagem da dívida. Caso contrário, a família iria ter de pagar um total de 10 428,51 euros. Do extracto enviado pela Clínica de Santo António, a que o CM teve acesso, constam despesas referentes a medicamentos (1875,23 euros), consumíveis (1385,60 euros), prótese (3732,84 euros) e enfermaria (80 euros).

A carta chegou a casa de Maria Preciosa Rosa na semana passada. A viúva de Luís não compreende porque vai ter de pagar os tratamentos, que não chegaram a terminar. Depois das transfusões, o doente entrou em insuficiência renal e precisou de tratamento hepático, sofrendo também uma paragem cardíaca. O Hospital Curry Cabral, ao ter conhecimento do caso, recomendou a transferência do doente, mas Luís Almeida Oliveira acabou por não resistir.

A clínica explicou à família que o erro ocorreu aquando da recolha de sangue para ser apurado o grupo sanguíneo do doente. "No quarto estava outro doente, também de apelido Oliveira, que respondeu à chamada referente a Luís Oliveira para a recolha de sangue", referiu, na altura, Sara Saavedra, administradora da clínica. "Na sequência da cirurgia e dada a necessidade de repor sangue ao doente foi realizada a transfusão, que era do grupo sanguíneo de outro", explicou.

MULHER E FILHO APRESENTARAM QUEIXA NA PSP

Maria Preciosa Rosa e o filho, João Oliveira Mendes, ficaram em choque quando souberam da morte de Luís Oliveira, no Hospital Curry Cabral. "Só ia colocar uma prótese. Ninguém morre por isso", disse a mulher, inconsolável. Quando a 11 de Dezembro souberam da morte de Luís, apresentaram queixa numa esquadra da PSP.

O processo, referente a negligência médica, está a ser investigado pelo DIAP de Lisboa, em colaboração com a Polícia Judiciária.

cm