Renegociação com a troika deve avançar já

O presidente do Conselho Económico e Social (CES), José Silva Peneda, insistiu hoje que o Governo deve iniciar «já» um processo de renegociação com a 'troika' que afaste o país de cinco anos de austeridade.
«Quanto mais tarde iniciarmos estas negociações, piores vão ser as condições para o fazer», disse Silva Peneda aos deputados durante uma audição na Assembleia da República.
Questionado pela deputada do PSD, Elsa Cordeiro, sobre os riscos que teria esta negociação, o presidente do CES afirmou que «há sempre riscos», mas sublinhou que no actual momento, o maior risco é o de não cumprimento das metas.
«Se este se cenário se verificar a nossa posição sairá mais enfraquecida e, por isso, o ideal é transferirmos para mais cedo esta negociação», disse.
Para Silva Peneda, a renegociação dos prazos de amortização de dívida devem ser prioritárias nesta renegociação, em relação às de execução do défice.
A necessidade de Portugal iniciar, com caracter de urgência, um processo de renegociação com a 'troika' (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu) foi abordada pelo CES no parecer sobre a proposta de Orçamento do Estado aprovado na segunda-feira.
As recomendações do CES incidem essencialmente em três pontos: a redução expressiva dos juros a pagar pelo empréstimo concedido a Portugal, a reavaliação dos prazos em relação aos períodos de amortização dos empréstimos e maior equilíbrio entre austeridade e crescimento, mediante medidas que fomentem a economia e a criação de emprego.
«É sabido que qualquer programa de ajustamento aplicado a uma economia que apresente grandes desequilíbrios provoca sempre dor. O Conselho receia que, no nosso caso, possamos estar a entrar num processo em que há dor sem haver ajustamento», disse Silva Peneda na ocasião.
Na declaração de voto dos membros representativos do Governo, que se abstiveram na votação do documento, o Executivo considerou que o Parecer do CES sobre a proposta de Orçamento do Estado para 2013 ignora «elementos fundamentais» e apresenta «uma análise desequilibrada» do documento.

Fonte: Lusa/SOL