O cenário é mais grave do que a EDP admitiu. A nossa análise no Continente prova que, em cada 10 contadores multitarifa, mais de 4 tinham o relógio desacertado. Nos Açores e na Madeira também há erros.



Os desajustes na hora dos contadores têm proporções superiores àquelas que a EDP assumiu: segundo o nosso estudo, mais de 43% dos contadores observados em Portugal Continental apresentavam erros iguais ou superiores a 3 minutos. Ora, os 106 mil casos reportados pelo distribuidor somam apenas 12% do universo de contadores multitarifa instalados. Madeira e Açores, com outros distribuidores de eletricidade, avolumam o problema.
Em julho e agosto últimos, realizámos uma auditoria representativa dos alojamentos familiares em Portugal Continental, Açores e Madeira com contadores multitarifa, com relógios integrado e tarifa bi-horária ou tri-horária. Objetivo: verificar se a data e hora estavam corretas e determinar a proporção de consumidores afetados. Realizámos também uma auditoria a cerca de 300 de contadores desacertados, em Portugal Continental, selecionados a partir de consumidores que nos forneceram os seus dados a partir da nossa ferramenta (ver Informação relacionada) para identificar as marcas e modelos dos contadores em causa.
Em Portugal Continental, cerca de 43% dos contadores observados revelavam desacertos superiores a 3 minutos, ultrapassando a tolerância máxima de 2,5 minutos por ano. A maioria dos contadores com a hora errada apresentava uma diferença até 10 minutos, de atraso ou avanço, mas em cerca de 17% o desajuste era superior a 20 minutos. Em média, os contadores atrasados tinham, um erro de 24 minutos, e os adiantados, 19 minutos de avanço.
Detetámos ainda também 3,6% de contadores multitarifas com a data desacertada. Apresentavam diferenças entre 31 dias a menos e 8 dias a mais.



No total, 29% dos contadores observados em São Miguel (Açores) apresentavam um desacerto igual ou superior a 3 minutos. Na Madeira, os números disparam: os desacertos sobem para 59 por cento.







Muitas marcas em desacerto

Em 296 casas com contadores multitarifa com a hora desacertada acima da tolerância identificámos 31 modelos de 11 marcas de contadores bi-horários, fabricados entre 1996 e 2011. Como é claro no quadro que apresentamos, o problema de desacerto do relógio não se limita a duas “séries” de contadores, tal como a EDP afirmou.
Mais de um terço dos contadores (37%) apresentava um desacerto superior a 20 minutos.

Além de exigirmos as conclusões da auditoria em curso, é essencial que a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) obrigue a EDP a deixar prova das intervenções realizadas nos contadores. A EDP deveria ainda informar a entidade reguladora de todas as intervenções realizadas desde janeiro de 2012, data em que o próprio distribuidor admite ter iniciado os trabalhos no terreno.
O que podem os consumidores fazer

Interpele a EDP se o seu contador desacertado teve uma intervenção de acerto ou foi substituído, mas não recebeu nenhuma compensação na fatura, que deveria ser automática nos casos previstos na diretiva da ERSE. A DECO disponibiliza-se para mediar o processo.
Cada consumidor é fundamental em todo o processo e deve exigir a prova da intervenção da EDP, para não ficar dependente desta empresa. O mínimo que se exige ao regulador é que garanta a todos os consumidores com contadores desacertados a respetiva compensação financeira.
Se ainda não reclamou e detetou incorreções no relógio do seu contador, utilize o nosso formulário em Contadores Certos - DECO PROTESTE
Como fizemos o estudo

Em julho e agosto últimos, realizámos 755 auditorias representativas dos alojamentos familiares com contador multitarifa e tarifa bi-horária e tri-horária: 605 no Continente, 75 na Ilha de S. Miguel (Açores) e 75 na Ilha da Madeira. Objetivo: verificar o acerto da data e da hora dos contadores e inferir a proporção de equipamentos desacertados.
Verificámos também 296 contadores desacertados, em Portugal Continental, para identificar as marcas e modelos.







deco.proteste