James Rice, um dos irlandeses acusados de tráfico de armas para financiar uma facção dissidente do IRA, assumiu ontem em tribunal que se deslocou ao Algarve para fazer o transporte do armamento, mas negou qualquer ligação ao grupo terrorista. O julgamento dos três irlandeses e dois portugueses começou ontem, no Tribunal de Olhão, debaixo de fortes medidas de segurança.



O grupo foi desmantelado em 2011 pela Unidade Nacional de Contra-Terrorismo da Polícia Judiciária. Três elementos estão presos em Portugal e um está em liberdade. O quinto, suspeito de ser o cabecilha do grupo, está na Irlanda.

Conor Sheehan, 49 anos, James Rice, 61, e Paulo Guerreiro, 40, foram ontem ouvidos no Tribunal de Olhão. "Ofereceram-me 2500 libras [cerca de 3100 euros] para levar as armas para a Irlanda. Tinha muitos problemas financeiros e aceitei", assumiu ontem Rice, detido em 2011 após a apreensão de dez pistolas e 250 munições na sua caravana no parque de campismo de Olhão.

O português Paulo Guerreiro, ligado à construção civil, confirmou ter sido ele quem arranjou as armas de alarme, modificadas para calibre 6.35, para outro dos arguidos, o irlandês Conor Sheehan, de quem disse ser amigo desde 2006. Ambos negam ligações ao IRA. Conor diz que só serviu de tradutor para John McCann, 53 anos, suspeito de ser o cabecilha e que está na Irlanda a aguardar extradição.

O quinto arguido, o português António Mestre, cortador de carnes, de 39 anos, será ouvido no dia 5 de Dezembro.

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