Os quatro militares da GNR que foram detidos na terça-feira por corrupção saíram ontem em liberdade do Tribunal de Vila do Conde, mas foram afastados de imediato das funções que exerciam no posto. O juiz de instrução criminal, Pedro Miguel Vieira, decidiu suspender os arguidos de funções por entender que estaria em causa o perigo de perturbação do inquérito e o perigo de continuação da actividade criminosa.



Além disso, os guardas ficam ainda proibidos de contactarem com a comunidade chinesa da Varziela e de irem àquela zona.

No despacho de indiciação, que explica que a investigação foi baseada na escuta aos telefones dos arguidos e à maioria dos carros do posto da GNR, o militar Pedro Cardoso foi quem viu mais crimes serem-lhe imputados. É suspeito de três crimes de recebimento de vantagem patrimonial, por ter recebido chinelos e outros artigos de comerciantes chineses, de um crime de peculato e outro de falsidade de testemunho – o guarda foi apanhado com outro colega a combinar como iria mentir à PJ, aquando de uma situação de agressão a um chinês.

O antigo comandante do posto, Rui Silva, está por sua vez indiciado de três crimes de recebimento de vantagem patrimonial e um de corrupção passiva. Já os GNR Paulo Pinto e Márcio Gonçalves são apenas indiciados por um crime de recebimento de vantagem patrimonial – o primeiro por receber umas luzes de Natal que ofereceu depois à sogra e o segundo por receber um presunto, que repartiu por familiares.

A defesa já avançou que irá recorrer. "Ficamos surpre-sos com o afastamento da GNR. Podiam, por exemplo, ser colocados em funções administrativas", disse Luís Vaz Teixeira, advogado de dois arguidos.

cm