O presidente da Associação Cais Sodré contestou hoje a proposta da Câmara de Lisboa para a limitação do funcionamento de bares e discotecas daquele bairro lisboeta durante a manhã, para que passem a abrir só depois das 12h00.



O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, quer fazer com que os estabelecimentos que dispõem de espaço de dança (clubes, cabarets, boîtes, discotecas, pubs, bares, casas de fados e estabelecimentos análogos) funcionem das 12h00 às 04h00, atrasando a sua abertura em seis horas e limitando os 'after-hours' (funcionamento durante a manhã).

Perante esta limitação, o presidente da Associação Cais Sodré, Pedro Faria, considerou em declarações à Agência Lusa que os problemas com a animação nocturna daquele bairro "não são exclusivamente de quem abre durante a manhã".

O sócio da discoteca Europa - que tal como o Oslo e o Copenhaga é um dos espaços que funcionam em 'after-hours' no Cais do Sodré - criticou o "extremar de posições" da Câmara de Lisboa, ao atribuir "as culpas a um tipo de negócio específico" e colocando assim "todos no mesmo saco".

Por outro lado, o representante dos bares do Cais Sodré considerou que com o limitar dos horários os frequentadores da zona "deixam de estar dentro de portas num sítio insonorizado, onde o ruído não existe para virem para a rua" fazer barulho.

"É uma questão de bom senso", rematou.

Pedro Faria admitiu o ruído na rua, sugerindo um "controle mais eficaz das pessoas na rua" e da venda de bebidas para fora dos bares.

"Se não houver lojas de conveniência minimiza-se o ruído, as necessidades fisiológicas na rua e mesmo o lixo é minimizado porque não há nem garrafas nem copos para a rua", afirmou.

Outra das sugestões de Pedro Faria passa pelo aumento da fiscalização da venda para a rua - das lojas de conveniência e dos bares e restaurantes do Cais Sodré -, da Polícia Municipal e da Câmara de Lisboa, de modo a "perceber quem é que está a gerar problemas e ver quem é que está a cumprir".

A Associação Cais Sodré vai apresentar estas questões na discussão pública da limitação de horários, que decorre até 22 de Novembro.

A medida da Câmara de Lisboa surge de várias queixas de moradores da zona, quanto à "degradação da qualidade ambiental, à susceptibilidade de descanso, a uma maior insalubridade, ao nível de resíduos de vidro e de plástico (de garrafas de bebidas) e a uma maior insegurança".

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