O Banco Alimentar Contra a Fome (BAF), cuja presidente, Isabel Jonet, tem sido contestada por ter afirmado que "os portugueses têm de reaprender a viver mais pobres" e que devem comer menos bifes, custa por ano 34 milhões de euros. Os custos com comunicações, electricidade e remunerações ascendem a um milhão de euros. Só no Banco Alimentar de Lisboa, os 15 funcionários são uma despesa anual de 287 mil euros. Jonet garante ao CM que é "voluntária há 20 anos" e que não tem ordenado. Sobre a polémica em torno das suas palavras, não comenta.



Quem desvaloriza as afirmações de Jonet são os responsáveis de outras instituições de solidariedade. Ouvidos pelo CM, Eugénio da Fonseca (Cáritas), Lino Maia (Confederação Nacional de Instituições de Solidariedade) e Manuel Lemos (União das Misericórdias) sublinham que "mais importante que a dirigente é o alcance do trabalho do Banco Alimentar". Os 20 BAF do País ajudam 295 mil pessoas, através de duas mil instituições.

A polémica em torno das declarações de Isabel Jonet ocorre a menos de um mês da maior campanha do Banco Alimentar de recolha de alimentos (1 e 2 de Dezembro). Apesar de toda a contestação que se tem verificado, Lino Maia acredita que os portugueses "são generosos e sensatos" e não teme, por isso, menos doações de alimentos.

Isabel Jonet conta com o apoio esmagador da Igreja Católica e, amanhã, dia em que começa em Fátima, a assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), deve receber um voto de confiança dos bispos. Ao que o CM apurou, o assunto deve merecer uma referência do presidente da CEP, D. José Policarpo.

As afirmações de Jonet levaram à criação de três petições, que reúnem perto de oito mil assinaturas: 4529 pedem a demissão da fundadora do BAF ,e 3246 reclamam a sua continuação.

BANCO ALIMENTAR AJUDA ESCOLAS COM ARMAZÉNS

"A colaboração do Banco Alimentar no Programa Escolar de Reforço Alimentar (PERA) prende-se com a cedência de espaços para o armazenamento de produtos", esclareceu ontem o Ministério da Educação e Ciência (MEC), depois de o secretário de Estado da Educação, João Casanova de Almeida, ter referido o apoio da instituição para combater a fome a 10 800 alunos. O MEC acrescentou que na obtenção de alimentos conta com o apoio de várias empresas privadas de géneros alimentares.

cm