Há muito tempo que os habitantes da freguesia de Queiriz, no concelho de Fornos de Algodres, não viam nascer tantos bebés em tão pouco tempo. Só neste ano já nasceram na freguesia seis crianças, para alegria dos seus habitantes, na maioria idosos. Os nascimentos geram grande satisfação a Paulo Jorge Campos, presidente da Junta de Freguesia de Queiriz. Ele frisa que poderiam até já ser nove os bebés registados neste ano na freguesia: "Podíamos estar a festejar o nascimento de nove crianças. Infelizmente, três casais tiveram que emigrar à procura de melhores condições de vida".



Ao contrário do que se passa no resto do País, em Queiriz a taxa de natalidade vai aumentar este ano de forma exponencial, graças aos casais jovens que resistem em ficar na aldeia onde nasceram. Liliana Matos e Carlos Silva, de 29 e 35 anos, vivem por questões profissionais – ele é PSP – durante a semana em Santa Maria da Feira, mas têm casa em Queiriz, onde fizeram questão de registar o pequeno Rui Jorge, nascido a 9 de Setembro no Hospital de Viseu. Por vontade de Liliana Matos, o casal vivia sempre em Queiriz. "Aqui estão os nossos familiares e amigos mas, infelizmente, está difícil", adianta a jovem.

Com Sandra Mendes e João Santos, a história foi ao contrário. Os pais da Soraia, que completa nove meses no próximo dia 25, conheceram-se enquanto trabalhavam em França. Decidiram voltar para a aldeia dela porque "o sossego de ter casa própria não tem preço".

Cátia nasceu em 8 de Julho e é a primeira filha de Ricardo Andrade e Marisa Santos, ambos com 30 anos. "Estamos muito felizes", afirmam os progenitores. O mesmo dizem Cristina e Diamantino Santos, que foram pais pela quarta vez com o nascimento de Letícia, em Agosto.

A desertificação e envelhecimento da população são um problema no concelho de Fornos de Algodres. Segundo os Censos de 2011, residem em Queiriz 260 pessoas. Destes, apenas 28 têm menos de 14 anos.

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