O consumo de substâncias psicoactivas, que tem causado alguns casos graves como perturbações cardiovasculares, ataques de pânico e surtos psicóticos, levou as autoridades a fiscalizar os produtos vendidos nas lojas smartshops.



Francisco George, director--geral da Saúde, sublinha a necessidade de "agilizar o combate" ao consumo e venda desses produtos. Justifica com os danos que as substâncias provocam, em especial nos jovens. João Goulão, director-geral do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências, reforça as preocupações ao considerar que por se tratar de substâncias novas, na maioria dos casos de efeitos desconhecidos, dificultam a tarefa dos médicos em lidar com as situações, o que "potencia os riscos envolvidos". Segundo João Goulão, a falsa sensação de segurança transmitida pelo facto de as smartshops serem "lojas de porta aberta" tem levado a situações graves com o consumo das novas substâncias psicoactivas.

Recorde-se que, em Outubro, um rapaz de 17 anos e uma rapariga de 15 foram assistidos no Hospital de Évora depois de terem, alegadamente, fumado um produto comprado numa smartshop. No Funchal, quatro adolescentes morreram nos últimos meses depois de terem consumido drogas legais, vendidas como fertilizantes, incensos, ervas, pós e sais de banho. Além disso, regista-se uma média diária de três a quatro episódios de urgência relacionados com as novas drogas. Na última semana, a fiscalização da Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica resultou em 26 processos de contra-ordenação, um processo-crime, uma detenção e a apreensão de 9790 unidades de produtos, avaliadas em 165 mil euros.

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