A investigação da Polícia Judiciária, ao caso das seis pessoas que cegaram no Hospital de Santa Maria, foi ontem colocada em causa na sessão de julgamento realizada ontem em Lisboa. Os arguidos são Hugo Morgado e Sónia Batista, acusados de crimes de ofensa à integridade física por negligência.



A inspectora da PJ teve dificuldades em explicar ao tribunal as inúmeras incoerências detectadas pela defesa dos arguidos no manual de procedimentos que, alegadamente, estava em vigor em Julho de 2009.

Sobre o manual, um dos três existentes no processo, a inspectora reconheceu que a investigação da PJ confiou no documento, pois fora enviado pela administração do hospital de Santa Maria.

Entre as várias falhas apontadas pela defesa dos arguidos ao manual está a numeração que, em determinado momento, salta da página 22 para a 31.

Outra falha apontada à investigação diz respeito às diligências levadas a cabo pelos inspectores para saber se o arguido Hugo Morgado, farmacêutico no Hospital de Santa Maria, à data dos acontecimentos, conhecia o manual. A inspectora reconheceu que nada foi feito nesse sentido, uma vez que "o manual fora dado como válido".

O caso remonta a 16 de Julho de 2009, quando seis pessoas ficaram cegas devido à utilização do medicamento Avastin, durante uma cirurgia aos olhos realizada no Hospital de Santa Maria.

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