Nova testemunha diz ter estado com Duarte Lima à hora do crime

A defesa de Domingos Duarte Lima no Brasil apresentou ontem em julgamento uma nova testemunha, Rosângela da Silva Alvarenga, que afirmou ter estado com o advogado português em Maricá na mesma noite do homicídio de Rosalina Ribeiro.
A testemunha, que foi ouvida ontem no II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, afirmou ter estado com o advogado e ex-deputado português por cerca de 25 minutos - entre as 22h00 e as 22h25 locais - do dia 7 de Dezembro de 2009, num pequeno restaurante localizado na praça central do município de Maricá.
Rosângela, de 53 anos, declarou ter passado o dia em Saquarema, com a mãe, e que à noite parou em Maricá, quando regressava ao Rio de Janeiro.
A testemunha disse ter a certeza da hora em que parou no restaurante, 21h45, porque a mãe é hipertensa e tem de tomar remédio a uma hora exacta, o que coincidiu.
O horário que a testemunha diz ter estado com Duarte Lima é próximo do que a polícia brasileira estima que tenha ocorrido o assassinato de Rosalina Ribeiro.
As multas por excesso de velocidade aplicadas ao carro alugado por Duarte Lima foram registadas às 21h38, no sentido Rio de Janeiro - Saquarema, e uma segunda, em sentido contrário às 22h37.
A testemunha disse ainda que nunca tinha visto Duarte Lima e que se conheceram por acaso, uma vez que ele se sentou na mesma mesa que ela, depois de um empregado ter perguntado se ela não se importaria de dividir a mesa, perante da falta de lugares no estabelecimento.
«Sentámo-nos [Rosângela e a mãe] e eu pedi uma água para a minha mãe tomar um remédio e pedimos também uma pizza. Depois, um garçon veio perguntar se não me importava de deixar esse senhor sentar-se», declarou a testemunha, explicando de seguida que o restaurante possuía poucos lugares e que ela e a mãe ocupavam uma mesa para quatro pessoas.
A testemunha disse ainda que, durante a conversa, Duarte Lima mencionou que estava ali porque acabara de «deixar uma cliente», sem mencionar quem ou em que ponto específico a teria deixado.
Segundo a testemunha, o advogado português mencionou ainda que pertencia à Associação Portuguesa Contra a Leucemia, que fundara após vencer um cancro.
Rosângela Alvarenga adiantou que «o senhor» [Duarte Lima] disse ser de Lisboa e que parecia não conhecer bem o local.
No rápido encontro ambos terão trocado contactos - Duarte Lima deixou seu cartão, enquanto Rosângela escreveu o número de telefone num guardanapo -, motivo pelo qual terá sido possível encontrar a testemunha.
Rosângela informou ainda ter sido esse o seu único contacto com o arguido, não voltando a encontrá-lo desde então.
Pela primeira vez desde o início da audiência de instrução e do julgamento, o advogado oficial de Domingos Duarte Lima no Brasil, o político João Costa Ribeiro Filho, esteve presente na audiência e conduziu as perguntas realizadas à testemunha.
Ribeiro Filho, que já foi secretário de segurança pública do Estado do Tocantins, tomou posse recentemente como senador da República do Brasil, em Brasília.
A assessoria do Senado brasileiro informou à agência Lusa que o alto cargo político não é incompatível com o exercício de advogado neste tipo de processo.

Fonte: Lusa/SOL