Arménio Carlos prevê adesão da maioria dos trabalhadores à greve

O secretário-geral da CGTP estima que a maioria dos trabalhadores portugueses vá aderir à greve geral de quarta-feira tendo em conta a disponibilidade para a luta manifestada nos muitos contactos sindicais feitos nas últimas semanas.
«Os trabalhadores é que são os protagonistas desta greve geral e nas centenas de contactos feitas pelas estruturas sindicais, quer em plenários nas empresas, quer em encontros junto às empresas, os trabalhadores manifestaram o seu total apoio e disponibilidade para esta acção de luta, o que nos leva a crer que vamos ter uma grande greve geral», disse Arménio Carlos em entrevista à agência Lusa.
O sindicalista salientou que existe «uma grande convergência» relativamente à greve geral, independentemente de ela ter sido convocada pela CGTP.
«Esta não é apenas uma greve geral da CGTP», afirmou.
Arménio Carlos referiu que, além dos sindicatos filiados na Intersindical, um grande número de sindicatos independentes e de sindicatos filiados na UGT emitiu pré-aviso de greve para quarta-feira.
Apesar de a UGT não ter aderido à greve geral por considerar que esta é motivada por razões político-partidárias, as suas estruturas sindicais emitiram pré-aviso de greve para quarta-feira, em protesto contra as medidas de austeridades previstas na proposta de Orçamento do Estado para 2013 e também para aderir a uma jornada de luta que a Confederação Europeia de Sindicatos (CES) convocou para esta data.
No âmbito da iniciativa da CES está marcada uma greve geral para Espanha, uma greve geral de 4 horas para Itália e manifestações em vários países da Europa.
«Vamos ter um dia de farta participação cívica dos trabalhadores portugueses e dos trabalhadores europeus em geral. Vamos ter milhões de trabalhadores na Europa a dizer basta de austeridade, é preciso mudar de políticas», disse o líder da Inter lembrando que «não há memória de uma greve geral ibérica».
A CGTP marcou a greve geral para quarta-feira tendo em conta estar a decorrer no Parlamento a discussão na especialidade da proposta de Orçamento do Estado (OE) para 2013 e para reclamar políticas alternativas que favoreçam o crescimento económico do país.
«Esta greve geral não tem só a ver com o Orçamento do Estado e com as consequências da sua aprovação para os trabalhadores e as suas famílias», disse Arménio Carlos.
«Temos uma visão global para as empresas e para as pessoas, defendemos o crescimento económico para andar para a frente, mas o que o Governo nos propõe é a recessão e andar para trás», acrescentou o sindicalista.
A CGTP propõe, nomeadamente, a redução do IVA e dos custos de contexto das empresas e o aumento dos salários e pensões.
«Se os trabalhadores e os pensionistas tiveram mais rendimento, as empresas podem fazer mais negócio e o Estado pode aumentar as receitas fiscais», defendeu Arménio Carlos.

Fonte: Lusa/SOL