Nos primeiros nove meses de um ano marcado pela retracção de consumo, o EBITDA recorrente do grupo de retalho, telecomunicações e imobiliário melhorou 4%. Os resultados superaram as estimativas dos analistas.

O grupo Sonae – dono do Continente, da Optimus e de centros comerciais – registou um resultado líquido após interesses minoritários de 64 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, o que representa uma quebra de 24% face a igual período do ano passado. O valor reportado esta terça-feira superou as estimativas dos analistas consultados pela Reuters que previam um lucro de 49 milhões de euros.

Em comunicado enviado esta quarta-feira às redacções, o grupo explica o desempenho dos lucros “em função essencialmente da não existência de ganhos não recorrentes associados à venda de activos pela Sonae RP”, no valor de 16 milhões de euros em igual período de 2011, “e de uma menor contribuição dos resultados indirectos, não monetários, da Sonae Sierra, essencialmente em resultado da desvalorização de centros comerciais em Espanha e Portugal”.

Em sentido contrário, o grupo destaca a “evolução positiva” do EBITDA (resultados antes de impostos, juros, amortização e depreciação) recorrente, que atingiu 436 milhões de euros no período em análise, melhorando em 4% o desempenho homólogo de 2011. Uma evolução “determinada pelo crescimento do EBITDA recorrente nos negócios de retalho alimentar e de telecomunicações, permitindo atingir uma margem EBITDA de 11%”, mais 0,3 pontos percentuais do que em igual período de 2011. Incluindo itens não recorrentes, o EBITDA foi de 431 milhões de euros, mais 1% do que nos primeiros nove meses de 2011.

Entre Janeiro e Setembro, a Sonae consolidou um volume de negócios de 3,93 mil milhões de euros, o que representa uma quebra de 2% face ao homólogo do ano passado. No retalho de base alimentar, a Sonae MC teve um desempenho “quase em linha com o ano anterior”, atingindo os 2,4 mil milhões de euros. Ainda nesta área de negócio, o EBITDA aumentou 11%, para 169 milhões de euros, o que o grupo defende traduzir “um resultado muito positivo no actual contexto de retracção de consumo”.

No retalho especializado, de base não alimentar, a Sonae SR registou uma quebra de 2% nas vendas, para 846 milhões de euros, “em linha com o ano anterior”. As vendas fora de Portugal cresceram 12% no período, representando agora 30% do total, ficando quatro pontos percentuais acima do período homólogo de 2011.

No período em análise, o grupo reduziu em 181 milhões de euros o endividamento total líquido, para 2,04 mil milhões de euros. Investiu, no mesmo período, 177 milhões de euros, que na remodelação de lojas em Portugal e Espanha, como no “desenvolvimento da rede de telecomunicações, nomadamente na implementação da rede 4G”.


Fonte: Jornal de Negócios